quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz 2011!!! Abraços, carinhos, amor de Antonia Santos e Lilia Maciel

            Não poderia deixar de agradecer, do fundo do coração, a todos e todas, aqueles e aquelas que colaboraram conosco, pra o nosso crescimento: amigos, conhecidos, estudantes, professores, novos amigos (Terreiro Mokambo), tantos, tantos, tantos...
           O aprendizado foi muito grande!!! Teria que lembrar do prof. Kabengelê Munanga e as emoções transmitidas e sentidas, a Irmandade do Rosario e os meus queridos irmãos, a minha filha, os meus amigos, as viagens, a empolgação do Memorial da América Latina emSão Paulo, a amizade do prof. João Carlos Salles - UFBa, os novos amigos da área Norte (quantas dificuldades!!! quantos desafios!!!), enfim, aqueles que não tenho como relacionar...
Feliz ano de 2011! Todos os dias de todos os anos, muito AXÉ, muita PAZ, muito BOA SORTE!
A imagem “http://www.orkutscraps.orkutscraps.in/v4/recados-para-orkut/feliz-ano-novo/feliz-ano-novo-21.gif” contém erros e não pode ser exibida.  Antonia Santos e Lilia Maciel

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Votos de final de ano - CEAO

CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais




Caros (as) Colegas,



Mais um ano se finda para a chegada de um novo. É momento de retrospectivas e projeções. Desejamos a todos e todas um ano feliz e pleno de realizações. São os sinceros votos de toda a equipe de funcionários e coordenadores de programas e projetos do Centro de Estudos Afro-Orientais e do Museu Afro-Brasileiro!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Com tristeza, lamentamos o falecimento de Emilio Silva

UFBA se despede do professor Emílio Silva


28/12/2010 - 10h10



Emílio expandiu parcerias internacionais da UFBA





Faleceu ontem o professor da UFBA Emílio José de Castro e Silva. A cerimônia de cremação está sendo realizada na manhã de hoje (11 horas), no cemitério Jardim da Saudade. Graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1976), fez residência em Clínica Médica na Universidade de Milão (Itália) e doutorou-se em Ciências Biológicas (Fisiologia) pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP, em 1986. Fez pós-doutorado no Departamento de Psicologia da Universidade de Iowa, nos EUA, em 2000-2001 e atualmente era Professor Titular de Fisiologia.



Durante os oito anos de reitorado do professor Naomar, Emílio foi Assessor para Assuntos Internacionais da universidade, tendo ampliado significativamente a atividade internacional da UFBA. Durante a sua gestão à frente da AAI, foram realizadas 30 missões oficiais ao exterior, expandindo as atividades acadêmicas internacionais da nossa instituição, o que resultou em parcerias com universidades prestigiosas na Europa, Estados Unidos, América Latina e África, assim como no intercâmbio internacional anual de centenas de estudantes.



O professor Emílio Silva deixa a marca indelével da sua contribuição para a excelência acadêmica da Universidade Federal da Bahia.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Índios criam milícia paramilitar nas fronteiras com Peru e Colômbia

Índios criam milícia paramilitar nas fronteiras com Peru e Colômbia


Paramilitares que não confiam no Exército nem na Polícia Federal assumem o controle de uma região isolada do país.


Em uma região isolada do país, nas fronteiras com o Peru e a Colômbia, drogas, alcoolismo, estupros nas comunidades indígenas. As imagens deprimentes e os problemas sérios das drogas e do álcool levaram os índios a formar sua própria polícia, uma verdadeira milícia paramilitar.



Um índio cantor aparece embriagado, como acontece todos os dias na terra dos tikunas, terra que fica no extremo oeste da Amazônia. Estamos a mais de mil quilômetros de Manaus, em uma região conhecida como Alto Solimões. A fronteira entre Tabatinga, no Brasil, e Letícia, na Colômbia, é rota do tráfico de drogas e armas.

Às margens estão as aldeias Tikuna. São mais de 20 vilas. É a mais numerosa nação indígena do Brasil. São índios que, próximos dos brancos, adotam práticas perigosas.



Segundo eles, a bebida vem das cidades, mas eles que trazem. Na tribo também é vendida. Isso já foi comprovado várias vezes.



Em um dos locais onde vende bebida dentro da comunidade indígena, a equipe de reportagem do Fantástico bate. Eles não saem, porque sabem que estão errados. Pela lei, é proibido vender qualquer tipo de bebida alcoólica em região indígena.



Um índio não consegue nem responder. É menor de idade. Muitos deles não encontram o caminho de volta e saem sem equilíbrio, entrando no mato até cair no igarapé.



Em cada comunidade, contingentes de 100, 150 e até 300 milicianos. Todos índios, com treinamento militar. Cada tropa tem o seu delegado e os instrutores. Um deles serviu ao Exército em Tabatinga como soldado. Lá ele é comandante.



Repórter: No Exército, você usava arma.

Comandante: Usava arma. Aqui não. Porque aqui é proibido.

Repórter: Quais as armas que vocês usam?

Comandante: Só o cassetete, aqui. Para defender o nosso povo.



Na polícia indígena, prevalece a lei dos caciques. “É que nas comunidades acontecem muitas coisas que não agrada à comunidade. Como criminalidade, estupro, invasão da terra. Quando a gente denuncia para a Polícia Federal, eles só fazem escrever. Eles não vêm”, afirma o cacique Odácio Sosana Bastos.



O antropólogo João Pacheco de Oliveira, do Museu Nacional no Rio de Janeiro, estudou o comportamento dos tikunas.“De certo modo apareceram grupos paramilitares em várias outras cidades tikunas e começaram a atuar de um modo talvez um pouco radical em relação às iniciativas da comunidade”, explica o antropólogo.



Operação Pantera é o nome da cadeia, com um metro e meio de altura, da polícia indígena, que fica na comunidade de Belém dos Solimões. Na porta, algumas tábuas quebradas, porque os presos ficam chutando pela parte interna.



“Quando está muito alterado, nós amarramos e jogamos aqui dentro. Quando ele não está alterado, soltamos e deixamos ele para outro dia. No outro dia, a gente tira o preso, leva para ali, chama o cacique, chama o pastor, chama o chefe do posto. Fazemos uma reunião, um julgamento. Faz mais ou menos uns três meses que não prendo ninguém. É que mandaram parar. O Ministério Público mandou parar, porque teve uma revolta”.



Mas os caciques insistem que a polícia indígena precisa ter armas de fogo para ser respeitada.



“Nosso povo é igual ao povo civilizado. Tem revólver, tem pistola, tem machado, e ataca com essas armas em cima de nós. E nós só com cassetete?”, indaga o cacique tikuna, Odácio Sosana Bastos.



“Arma de fogo, não. Arma de fogo é proibido, a Legislação não permite. Os abusos que violem os direitos humanos, por exemplo, a aplicação de penas cruéis, de tortura e de morte. Isso o Ministério Público não pode permitir. A Constituição não permite” afirma Gisele Dias Bleggi, do Ministério Público.



No flagrante de uma dessas prisões, o índio mais velho foi preso por embriaguez e desacato ao policial. Além de ficarem presos, a tradição de castigos físicos é muito forte.



“Isso aqui é para aqueles que estão muito alterados. Usam a palmatória como castigo e para que a pessoa se acalme”.



A tropa de índios é composta tanto por homens quanto por mulheres. Acompanhamos a soldado Saldanha até sua casa. O marido dela também é miliciano. Ela concilia as tarefas de dona de casa com as rondas policiais. Mas tem problema de alcoolismo na própria família.



Repórter: São quantos filhos?

Saldanha: Cinco.

Repórter: Eles passaram a beber também? Seu filhos?

Saldanha: Agora que a polícia está cuidando e ele não sai muito mais, não. Eu choro muito.



Pelo serviço de policiamento, os índios querem receber do Estado. “Queremos que o Governo Federal nos reconheça com salário”, defende o cacique.



“Um salarinho aí para cada policial. Porque todo policial tem filho”, destaca um deles.



“A Polícia Federal não reconhece essa formação de polícia. A Polícia Federal tem como um grupo verdadeiramente de milícia, com raízes até paramilitar”, afirma Gustavo Henrique Pivoto João, delegado da Polícia Federal.



Procurada pelo fantástico, a Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão responsável pela política nacional em relação aos índios, se manifestou por meio de uma nota. Para a Funai, a criação da "polícia indígena" é ilegal. Quando verificada a ocorrência de crimes, a Funai aciona as forças policiais.



“O problema da segurança nessas aldeias, dentro de uma região de fronteira ameaçada por narcotráfico, por corrupção, por muitas coisas dessa ordem”, aponta o antropólogo José Pacheco de Oliveira.



“Há o temor de que esses índios acabem vindo a ser cooptados pelo tráfico de drogas, pelas organizações paramilitares de traficantes”, alerta o delegado da Polícia Federal, Gustavo Henrique Pivoto João.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Mensaje de fin de año: "Le doy gracias a Amnistía Internacional, y a la gente de muchos países [...] que trabajaron por mi libertad." - Raúl Hernández

Mensaje de fin de año


Alberto Herrera Aragón - Director Ejecutivo de AI México



"Le doy gracias a Amnistía Internacional, y a la gente de muchos países [...] que trabajaron por mi libertad." - Raúl Hernández



Amigas y amigos:



Estamos por cerrar un año intenso para Amnistía Internacional. El panorama mexicano en materia de derechos humanos es preocupante, pero hemos visto cambios importantes en los últimos meses impulsados por individuos organizados que han exigido a las autoridades un mundo distinto. La liberación de seis presas y presos de conciencia emblemáticos durante 2010 es una muestra del poder de la movilización y de la importancia de un movimiento como Amnistía Internacional en México.



En el año 2011 nuestra mirada estará puesta en temas sobre los que trabajamos durante 2010 como los abusos cometidos por las fuerzas armadas, la protección de defensores y defensoras de derechos humanos, así como la necesidad de protección y justicia para las y los migrantes centroamericanos que cruzan por nuestro país para intentar llegar a los Estados Unidos; sin embargo, formará parte de nuestras más altas prioridades el abordaje de las violaciones de derechos humanos asociadas a la pobreza en el marco de nuestra campaña global ((( Exige Dignidad ))).



A través de esta campaña, AI México exigirá a las autoridades mexicanas y de otros países que rindan cuentas sobre la forma en que han dado cumplimiento a los Objetivos de Desarrollo del Milenio de la ONU (principal compromiso internacional para avanzar en la erradicación de la pobreza), así como que garanticen la adopción de medidas concretas para disminuir la mortalidad materna, para terminar con los desplazamiento forzosos y para hacer rendir cuentas a las empresas responsables de la comisión de abusos como resultado de la instalación de mega proyectos. Además, exigiremos a las autoridades mexicanas que ratifiquen cuanto antes el Protocolo Facultativo del Pacto Internacional de Derechos Económicos Sociales y Culturales (PFPIDESC), principal tratado internacional que permitirá hacer rendir cuentas a los Estados por la violación de estos derechos íntimamente ligados a la pobreza.



Te invito a conocer algunos de los logros obtenidos por las y los activistas de AI durante el año 2010 en este vínculo.



Igualmente te invito a actuar por la seguridad del padre Alejandro Solalinde, quien dirige el albergue de migrantes “Hermanos en el Camino” y que ha denunciado abiertamente los abusos cometidos contra migrantes en nuestro país: Actúa aquí.



Amnistía Internacional es un movimiento que busca contribuir en comunidad a generar cambios en la vida de las personas a través de hacer realidad los principios internacionalmente reconocidos de los derechos humanos. Pero sin ti, la misión de Amnistía Internacional es imposible. El espíritu de nuestro movimiento es tu indignación, tu acción, tu voz. Por ello, agradezco infinitamente tu cercanía durante estos meses y te invito a involucrarte en las distintas formas de acción que AI México pone a tu disposición. Hacer crecer el movimiento de derechos humanos es ayudar a dar forma a la esperanza. Si aún no eres miembro de Amnistía Internacional, te invito a que te unas a esta comunidad: www.amnistia.org.mx/unete



Un saludo afectuoso y felices fiestas.







Alberto Herrera Aragón



Director Ejecutivo



Amnistía Internacional México



Twitter: Alberto_Herrera



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GRACIAS POR FORMAR PARTE DE LA ORGANIZACIÓN DE DERECHOS HUMANOS MÁS GRANDE DEL MUNDO.





Amnistía Internacional

Feliz Natal e um Ano Novo inspirado.

Olá


Desejamos-lhe um Feliz Natal e um Ano Novo inspirado.

Deixamos-lhe os destaques da semana em Angola.

Continue Connosco.
(NewsletterAngola Digital)






Cabinda: Raul Tati e Francisco Luemba libertados

Fonte: Ibinda Digital

Quinta, 23 Dezembro 2010

Foram libertados esta quarta-feira Raul Tati e Francisco Luemba, assim como outros activistas dos Direitos Humanos acusados por Angola de «actos contra a segurança do Estado». Detidos desde Janeiro, a libertação acontece pouco após dois juízes do Ministério Publico francês terem acusado Rodrigues Mingas de «associação criminosa em relação com organização terrorista». Ler Notícia

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

2010, um ano muito revelador - Revista Forum

2010, um ano muito revelador


Em muitos lugares do mundo, e em especial no Brasil, o ano de 2010 escancara evidências de que a mídia tradicional faz escolhas que nem sempre contemplam os interesses da maioria.



Por Luciano Martins Costa[23 de dezembro de 2010 - 10h22]



O ano de 2010 deixa algumas lições importantes para os observadores da imprensa e para todos os cidadãos que se preocupam com o futuro das liberdades democráticas. O impacto dos vazamentos do WikiLeaks certamente é uma delas, com a revelação de que na sociedade hipermediada não há garantia para segredos. Fica também a constatação de que, diante da possibilidade de uma ampla transparência nas relações de poder, a imprensa tende a se alinhar com o conservadorismo e a manutenção do sistema no qual há informações para todos e informações para alguns.

Compreende-se que a imprensa, assim como os poderes que compõem o Estado, considere que alguns assuntos não devem ser do domínio público. Mas o fenômeno do WikiLeaks, ainda que considerado um instrumento de publicização aleatória, sem critérios jornalísticos, conseguiu sacudir o establishment e colocar sob suspeição a seriedade das razões que movem muitas decisões de Estado.

Considerando-se outras inovações nas tecnologias de comunicação e de informação, é de se questionar se o modelo tradicional da imprensa ainda tem validade.


Jornalismo e poder


Em muitos lugares do mundo, e em especial no Brasil, o ano de 2010 escancara evidências de que a mídia tradicional faz escolhas que nem sempre contemplam os interesses da maioria.

O trabalho de seleção e divulgação ordenada de notícias revelou-se claramente parte dos jogos de poder, e a imprensa não pode mais escapar de certos questionamentos, principalmente levando-se em conta que o seu valor sempre esteve vinculado a uma suposta missão de informar a cidadania para a defesa dos princípios democráticos.

Mas quanto e como a imprensa contemporânea contribui para o aprimoramento da democracia?

Sempre vale a pena rever os arquivos: em uma edição de domingo, 23 de março de 2003, o Estado de S.Paulo publicou artigo de Orville Schell, do New York Times, no qual ele afirmava que "o problema enfrentado por muitas empresas de comunicação não é continuar no ramo, mas continuar no jornalismo". Segundo o autor, "a imprensa vem perdendo a capacidade de manter a democracia suficientemente informada para tomar decisões inteligentes".

No caso do Brasil, já faz décadas que a imprensa tradicional vem fazendo esse esforço para abandonar o jornalismo em troca de poder, em detrimento da democracia.


Onde foi que a imprensa errou?

Termina, com este ano, o período de governo chefiado por um ex-operário, sindicalista que liderou a renovação das relações de trabalho no Brasil, contribuindo para recuperar a liberdade de associação interrompida pela ditadura, encerrando uma história de representações criadas sob a tutela do Estado Novo.

Luiz Inácio Lula da Silva deixa o governo com uma popularidade histórica, jamais alcançada por qualquer outro governante brasileiro, que provavelmente não será superada tão cedo, com indicadores econômicos e sociais marcantes e um processo de inclusão do Brasil entre as nações líderes neste início de século.

Contraditoriamente, esse mesmo governante entra e sai da cena política sob críticas incessantes da imprensa tradicional.

Como todos os chefes de Estado, certamente cometeu erros e acertos e deixa muitas tarefas importantes por serem completadas, como algumas reformas reclamadas há décadas pela sociedade. Mas dificilmente os pesquisadores irão encontrar, em outro período da História brasileira, tantas e tão profundas mudanças, que no entanto não parecem ser levadas em conta nas avaliações que a imprensa faz dele diariamente, numa indisfarçável e permanente manifestação de má vontade.

Quando surgiu para a cena política, o então sindicalista foi entrevistado por este observador, então um jornalista iniciante. O ano de 1975 ia pela metade e ele havia acabado de assumir a presidência do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Mauá e Diadema. Era chamado de "Baianinho".

Duas de suas respostas àquela entrevista foram marcantes: na primeira, ele afirmava que o Brasil somente poderia ser considerado um país sério quando um operário pudesse comprar o carro que ajudava a fabricar ou um apartamento no prédio que ajudava a construir. Na segunda resposta, dizia ser seu sonho ajudar os trabalhadores, organizados, a se tornarem protagonistas da política nacional.

Eram tempos duros, de uma ditadura renitente ainda convulsionada pela disputa interna entre os militares que defendiam a abertura do regime e aqueles que conspiravam para reduzir ainda mais as poucas liberdades públicas.

Passados 35 anos, o ex-metalúrgico contabiliza em sua biografia a construção de um sindicalismo forte o suficiente para servir de plataforma para a criação de um dos maiores partidos políticos nacionais e deixa o governo com o mérito de haver produzido, com um misto de políticas sociais inovadoras e estratégia econômica conservadora mas eficiente, um inédito e consistente fenômeno de mobilidade social.


Espancando a verdade

Uma consulta aos arquivos da própria imprensa revela que os jornais se esforçaram para que Lula da Silva não fosse eleito. Empossado, os jornais apostaram no seu fracasso.

O Brasil se recuperava lentamente de uma sucessão de crises internacionais, o que revelava uma base frágil da economia como um todo, vulnerável até mesmo a sacolejos nas distantes e irrelevantes Indonésia ou Malásia.

Cerca de 2,5 milhões de brasileiros estavam sem emprego, o que representava 12,3% da população ativa sem remuneração assegurada. Mesmo com a mudança no sistema de cálculo – porque até então a base incluía pessoas com idades acima de 15 anos, e não de 18, como passou a ser considerado – o que se viu, a partir de 2003, foi uma redução constante e consistente do desemprego, além do crescimento da renda do trabalho.

A imprensa vive repetindo que Lula recebeu o Brasil em excelentes condições. Não é verdade: os dados publicados pelos jornais no período informam que a inflação havia disparado em 2002, a tal ponto que o Conselho Monetário Nacional foi obrigado, em janeiro de 2003, a aumentar em mais de 100% a meta para aquele ano – de 4% para 8,5% – dada a impossibilidade de se obter uma convergência entre a inflação real e aquela que fora projetada no fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Em 2002, a inflação real no Brasil havia evoluído de 7,62% em janeiro para 12,53% em dezembro, uma das mais altas do planeta. Na verdade, era a quarta maior inflação entre as 37 economias mais importantes do mundo, com um crescimento pífio nos dez anos anteriores.

Os números desmentem manchetes, artigos e editoriais. A chamada grande imprensa acumulou nesse período uma coleção de prognósticos equivocados. A imprensa precisa ser crítica, mas deve sempre perseguir a verdade. Não para espancá-la, mas para se servir dela.


O novo herói da mídia

O ano de 2010 está chegando ao fim e, com ele, um governo que, em dois mandatos, viveu o inferno em suas relações com a chamada imprensa tradicional.

Muito foi dito neste Observatório sobre esse conflito, que teve seu auge nos anos de 2005 e 2006 e, mais recentemente, na campanha eleitoral de 2010. E os observadores que acompanham essas análises desde então se dividiram em dois grupos inconciliáveis: aquele que vê em cada linha, em cada notícia, uma conspiração do "Partido da Imprensa Golpista" e aquele que imagina que toda crítica à imprensa é militância em defesa do lulo-petismo.
São raros, na verdade, os comentaristas que conseguem escapar desse estado de guerra, que teve episódios grotescos, como o da bolinha de papel – ou rolo de adesivo – capaz de produzir uma tomografia e uma infinidade de teorias, cada uma mais esdrúxula que a outra.

Toda essa parafernália de argumentos desapareceu repentinamente da imprensa e das cartas de leitores logo após a eleição – tanto nos jornais quanto nos comentários de blogs – e a política tomou outros rumos.

No noticiário dos jornais, o que se viu, durante todo o mês de dezembro foi a correria dos repórteres para tentar antecipar as escolhas do futuro ministério, dos cargos importantes no Banco Central, e a composição de poder da aliança que venceu a eleição presidencial. Sobrou um pouco de atenção para a formação de alguns dos novos governos estaduais e destacou-se também o processo de reorganização das forças oposicionistas.

Nesse sentido, a leitura diária dos jornais mostrou claramente que, para a imprensa, o ex-governador José Serra já é parte do arquivo morto da política. Suas tentativas de ocupar uma vitrina nacional e dali continuar influenciando a política, não receberam o respaldo que se esperava da imprensa, considerando-se o espaço com que sempre contou enquanto representava uma alternativa de poder.

A imprensa tradicional do Brasil já tem novo candidato à Presidência da República. Ele se chama Aécio Neves da Cunha.


Jogos de poder


De tempos em tempos, a imprensa tradicional do Brasil elege seus heróis. Quase sempre, escolhe entre as alternativas mais conservadoras. Foi assim em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso disputou a prefeitura de São Paulo pelo PMDB: a maioria dos grandes jornais manifestou clara preferência por Jânio Quadros, não nos editoriais, mas na intensidade crítica do noticiário.

O episódio em que FHC, considerado então representante das forças da esquerda, sentou-se na cadeira de prefeito antes da eleição, foi na verdade estimulado por fotógrafos dos jornais e depois oportunisticamente explorado pela mídia. Da mesma forma, as respostas dúbias a perguntas maliciosas sobre uso de maconha e religiosidade foram manipuladas no noticiário da época.

Fernando Henrique só se tornou palatável para a imprensa tradicional quando se apresentou como a única alternativa para bloquear a chegada do PT ao poder, de 1994 em diante, assim como o PSDB só passou a ser o predileto da mídia quando se revelou ou se tornou um partido de centro-direita. Antes dele, a imprensa já havia inventado Fernando Collor, cujo governo acabou em impeachment, com protagonismo decisivo de seus antigos apoiadores na mídia.

A história dessa reviravolta ainda está por ser contada em detalhes, mas, em suma, trata-se da mesma antiga tradição da troca de apoio em projetos de poder.

É preciso contar, por exemplo, como as medidas econômicas de Collor possibilitaram o sucesso do Plano Real, e de como o isolamento do chamado "Centrão", promovido pela elite parlamentar que viria a constituir o PSDB, acabou criando o bloco que veio a se aliar sucessivamente a Fernando Henrique e depois a Lula da Silva, compondo o perfil fisiológico do Congresso Nacional que a sociedade tanto deplora.

Final de ano, início de nova década, fim de um ciclo fascinante da política nacional, era tempo de a imprensa nos brindar com um olhar isento e profundo sobre a história recente da nossa democracia.



Publicado no Observatório da Imprensa. Foto por http://www.flickr.com/photos/valeriebb/.