terça-feira, 3 de maio de 2011

Saiu a relação dos trabalhos aprovados que serão apresentados no II Encontro de São Lázaro

terça-feira 3 de maio de 2011

II Encontro - trabalhos aprovados

Confira abaixo a relação dos participantes cujos trabalhos foram aprovados para apresentação como palestras ou comunicações.
Registramos que, neste momento, já temos confirmada a presença de vários convidados, como Arley Ramos Moreno, Barbara Freitag, Chico de Oliveira, Claudia Mazzei Nogueira, Cristiane Gottschalk, István Mészáros, Maria Alice de Carvalho, Oswaldo Giacoia Júnior, Paulo Roberto Margutti Pinto, Ricardo Antunes, Sérgio Paulo Rouanet e Sidney Chalhoub, sendo que a conferência de abertura será proferida por István Mészáros, no dia 13 de junho. Em breve, divulgaremos também a relação de minicursos oferecidos no II Encontro de São Lázaro.

domingo, 1 de maio de 2011

“Maternidade e Africanidade”. - Casa do Benin - Salvador - Ba

 Companheiros e companheiras, segue a atividade que se realizará na Casa do Benin na qual contaremos com vossa presença.    



A Casa do Benin completa 23 anos em maio e ratifica a sua importância na valorização das inter-influências das culturas beninense e brasileira. Dentre tantos aspectos culturais relevantes, a maternidade, que é tão importante em África tradicional ou contemporânea, será o tema da mesa-redonda especial neste mês. Sabe-se que em África a relevância da maternidade está presente em várias culturas e podemos constatar este fato nas nossas raízes históricas nas quais percebemos os valores afetivos das mães biológicas ou não, que se fizeram presente desde as mães pretas, das  amas-de-leite, das mães de santo, das mães acolhedoras, das mães  adotivas, etc. Assim teremos as palestras da ialorixá  Jaciara enquanto mãe espiritual, da educadora Darci enquanto mãe escolar e do educador Edvaldo enquanto colaborador no Museu de Enfermagem uma instituição que valoriza uma profissão que legitima a importância do cuidar do próximo.

Mesa-redonda: “Maternidade e Africanidade”.
Data: 12 de maio, quinta-feira, 14h.
Local: Auditório.
Palestrantes: Sra. Jaciara Ribeiro, ialorixá do terreiro Abassá de Ogum; Sr. Edvaldo Melquiades, arte-educador do Museu Nacional de Enfermagem Anna Nery/MUNEAN e Sra. Darci Xavier, professora de História da Secretaria de Educação e Cultura  da Bahia (a confirmar).
Público alvo: educadores, estudantes, público em geral.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

SALVE O RIO SÃO FRANCISCO E SEUS POVOS!



SALVE O RIO SÃO FRANCISCO E SEUS POVOS!
As obras de transposição, as barragens hidrelétricas e as usinas nucleares ameaçam a sobrevivência deles.
 De 02 a 05 de maio, na Esplanada dos Ministérios em Brasília, os povos indígenas do Nordeste participarão do Acampamento Terra Livre, para denunciar os violentos impactos dos grandes projetos desenvolvimentistas nos territórios sagrados
 CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA MANIFESTAR A SUA SOLIDARIEDADE E ENCAMINHE ESTE EMAIL PARA SEUS CONTATOS
ASSINE A PETIÇÃO DA CAMPANHA OPARÁ
que será entregue durante o Acampamento

O Rio Opará (Rio-mar para os povos indígenas), conhecido como rio São Francisco, é a fonte de vida mais importante do semiárido do Nordeste brasileiro. Ele hospeda nas suas margens povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores tradicionais que dependem dele para viver.
A exploração desmedida dos seus recursos naturais com a construção das 7 barragens hidrelétricas, junto com os grandes empreendimentos de agronegócio, já diminuíram 70% da vegetação e dos peixes nativos, destruíram o ciclo da vazante que regulava as atividades produtivas das populações.

 O projeto de transposição do curso do rio, capitaneado pelo governo brasileiro, é mais uma ameaça a vida do rio e dos povos tradicionais que desde sempre o respeitam e defendem. As águas transpostas serão privatizadas e destinadas ao agronegócio e indústrias, enquanto só o 4% será destinado a população do semiárido.
Nós, 33 povos indígenas impactados, denunciamos todas as formas de agressão ao rio São Francisco e de violação de nossos territórios sagrados, além da transposição repudiamos a construção de mais barragens hidrelétricas, das usinas nucleares e outras grandes obras do PAC.
 CONTAMOS COM SEU APOIO!
 Assine nossa petição para o Supremo Tribunal Federal, para que seja respeitado nosso direito constitucional ao território tradicional e para que sejamos consultados no que atinge nossas formas de vida.
 Clique abaixo para assinar e depois encaminhe este email para seus contatos:
 “Campanha Opará. Povos Indígenas em defesa do rio São Francisco”

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lançamento do livro Lições de Abril, de América Cesar


Lançamento do livro Lições de Abril, de América Cesar

Obra aborda os famosos embates na aldeia de Coroa Vermelha a partir de ponto de vista situado entre a Etnografia e a História


      
Serviço
O quê: Lançamento do livro Lições de Abril, de América Cesar
Quando: 29 de abril de 2011, sexta-feira, às 18 horas
Onde: Auditório do PAF 3 (Campus de Ondina – UFBA)
Preço do livro: R$ 35,00
Preço promocional de lançamento: R$ 25,00

Informações técnicas
ISBN: 978-85-232-0759-5
Número de páginas: 236
Formato: 17 x 24 cm
Ano: 2011


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EDUFBA - Editora da Universidade Federal da Bahia
Assessoria de Comunicação
Laryne Nascimento
Telefone e fax: (71) 3283-6160
www.edufba.ufba.br | imprensaedufba@ufba.br
 







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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pastas de direitos humanos, mulheres e negros sofrem com caixa minguado'


O status de ministério ficou apenas no nome de quem ocupa o cargo. As secretarias especiais, criadas no governo Lula para garantir aplicação de recursos em áreas sensíveis, amargam desde 2003 a falta de dinheiro em caixa. Neste ano, as três pastas juntas — Direitos Humanos, Políticas para Mulheres e Igualdade Racial — terão R$ 431 milhões para gastar. O valor é 30% menor que o orçamento, por exemplo, do Ministério da Pesca, órgão com a menor destinação de recursos na lei orçamentária —- R$ 553 milhões — e que passou longe da disputa dos partidos por cargos.

Além de limitados, os orçamentos das secretarias especiais sofrem todos os anos com o contingenciamento. “A liberação dos recursos é toda no fim do ano. O que acontece é que as pastas não conseguem nem gastar. Os programas sociais não param, precisam de dinheiro o ano todo”, destaca a especialista em segurança pública e gênero Eliana Graça, que critica a transparência da aplicação de verba. “Grande parte dos projetos são feitos por prefeituras e organizações não governamentais, sendo que muitos convênios são aprovados sem análise técnica e sem acompanhamento”, destaca a especialista.

No ano passado, dos R$ 239,3 milhões previstos para ações de direitos humanos no país, apenas R$ 191,2 milhões foram pagos. O que significa dizer que o governo investiu menos de R$ 1 por brasileiro nessa área. A pasta é responsável por programas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, proteção de pessoas ameaçadas, ações de acessibilidade e de defesa dos idosos.

Os cortes no orçamento deste ano também já afetaram as secretarias. A execução nas três pastas está abaixo de 10%, sendo que o pior índice está registrado na Secretaria de Políticas de Igualdade Racial, que gastou menos de 3%. A pasta de Direitos Humanos executou 4% do orçamento previsto para este ano.

Mesmo Dilma Rousseff tendo garantido prioridade para a infância no seu governo, até agora não houve novos investimentos no enfrentamento da violência sexual contra crianças e jovens. Apesar dos R$ 12,3 milhões disponíveis para a ação, menos de 1% está empenhado e nada foi pago. O Programa Nacional de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei (Pró-Sinase) também não teve aporte de recursos. Os dados são de um estudo preparado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com a série histórica de gastos dessas secretarias, que compõem o orçamento social do governo.

“Há um aumento nos recursos das secretarias em geral por conta da pressão dos movimentos por emendas no Congresso, mas a verba ainda está muito aquém do ideal para os temas. É impossível combater o problema da violência contra a mulher, por exemplo, com R$ 35 milhões. Chega a ser ridículo”, afirma Eliana.

Muito a fazer
A Secretaria Especial da Mulher começou 2003 com R$ 33,8 milhões, quando teve uma execução de R$ 5,6 milhões, e chegou, no ano passado, a R$ 109 milhões, com R$ 96,1 milhões gastos. Além da violência, a secretaria tem, entre as atribuições, a elaboração de políticas públicas de gênero, incluindo ações de incentivo ao empreendedorismo e melhorias nas condições de trabalho.

A Igualdade Racial tem o pior cenário. Dos R$ 94 milhões autorizados no orçamento deste ano, pouco mais de R$ 2,2 milhões foram gastos até agora, sendo que R$ 2,1 milhões são voltados para o pagamento de despesas administrativas. O restante — menos de R$ 100 mil — foi investido no programa Brasil Quilombola e em ações de promoção de políticas afirmativas. O governo passado estabeleceu uma agenda para a assistência das 1.739 comunidades remanescentes de quilombos. O projeto era atender, até o fim do ano passado, essas áreas, localizadas em 330 municípios de 22 estados brasileiros.

“Ainda estamos muito longe de colocar esses temas como prioritários ou dentro de uma política transversal, como prevê a lei. Igualdade Racial, Mulheres e Direitos Humanos não estão, de fato, agregadas ao núcleo duro do governo”, critica Eliana. O Correio entrou em contato com as secretarias e não obteve retorno.

Mais uma
O governo Dilma anunciou a criação de uma estrutura nova: a Secretaria Especial de Aviação civil, ligada à Presidência da República. A pasta, que também tem status de ministério, será responsável por articular políticas para os aeroportos brasileiros. A intenção é reduzir a possibilidade de colapso na aviação civil durante eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. A estrutura atual da Esplanada é composta por 37 ministérios.
Fonte: Correio Braziliense

Raça entre classe e espaço: questões sobre a experiência das cotas raciais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro


O Laboratório de Investigações em Desigualdades Sociais - LIDES, juntamente com o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - PPGCS, o Programa A Cor da Bahia e o Centro de Estudos Afro-Orientais - CEAO, convidam a todos para a palestra ‘Raça entre classe e espaço’, a ser proferida pelo antropólogo André Cicalo, no dia 29 de abril, às 9:00, na sala de aula do LIDES, localizada no campus de São Lázaro.
 
Raça entre classe e espaço:
questões sobre a experiência das cotas raciais
na Universidade do Estado do Rio de Janeiro

A pesquisa do antropólogo André Cicalo tem por intenção debater, do ponto de vista etnográfico, como "raça” emerge entre discursos de "classe” e "espaço” na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Por determinação de lei específica, tal universidade introduziu cotas raciais com o intuito de favorecer o ingresso de estudantes auto-declarados  "negros”. Nesse contexto, uma pergunta que se continuou a fazer é se o racismo pode ser enfrentado através de medidas que parecem reforçar, na coletividade, a noção de diferenças raciais. Na apresentação aqui proposta, Cicalo argumenta que a diversidade social produzida pelas cotas na UERJ acaba refletindo, mais ou menos fielmente, as tensões sociais e raciais do espaço urbano, ao mesmo tempo em que mostra caminhos interessantes para negociar os contrastes aí presentes.
 
André Cicalo atualmente realiza seu pós-doutorado no Instituto de Estudos Latinoamericanos da Freie Universität de Berlim. Possui doutorado em Antropologia Social pela Universidade de Manchester, Inglaterra, onde realizou uma pesquisa sobre ações afirmativas e desigualdades raciais no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro, com uma etnografia focada na implementação do sistema de cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Racismo no futebol



    Racismo no futebol
    Atos racistas contra jogadores brasileiros ganham mais repercussão quando ocorrem no exterior, indica estudo

    Especiais

    Racismo no futebol

    15/4/2011
    Por Elton Alisson
    Agência FAPESP – Atos racistas, como os que tiveram como alvos os jogadores Roberto Carlos e Neymar recentemente, em jogos na Europa, costumam ganhar maior repercussão justamente quando ocorrem no exterior.
    Quando acontecem em estádios brasileiros, episódios como esses costumam ser minimizados ou negados pelos autores e até mesmo pelos próprios atletas hostilizados, devido à ideologia de que o Brasil é uma democracia racial e isento de racismo, segundo dissertação de mestrado em história social defendido em fevereiro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).
    Intitulado “Além dos gramados: história oral dos negros no futebol brasileiro (1970-2010)”, o estudo foi feito por Marcel Diego Tonini e contou com Bolsa da FAPESP.
    Para desenvolvê-la, o autor entrevistou 20 personalidades do futebol brasileiro, entre jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, torcedores, jornalistas e especialistas, em sua maioria negros.
    Entre os entrevistados estão o comentarista esportivo Leovegildo Lins da Gama Júnior, ex-lateral do Flamengo e da Seleção Brasileira; Jairo do Nascimento, goleiro do Corinthians na década de 1970; José Carlos Serrão (Zé Carlos), ponta e meia-esquerda do São Paulo no começo dos anos 1970 e atual técnico do Central de Pernambuco; e Luiz Carlos (Lula) Bezerra Pereira, que jogou no Sport Recife e no América-MG, entre outros times.
    Questionados inicialmente por Tonini se já tinham sido alvo de atos racistas em campo no período em que atuaram como jogadores, a maioria procurou negar, em um primeiro momento, a existência de racismo no futebol brasileiro e evitou expressões como discriminação. Mas, aos poucos, começaram a relatar alguns casos que sofreram.
    Já os entrevistados brancos procuraram relativizar as ocorrências de racismo, ao analisar os casos de discriminação ocorridos no futebol brasileiro como uma exceção em um país que acreditam ser racialmente democrático.
    “De maneira geral, todos os entrevistados procuraram defender o esporte. Eles falaram que isso acontece não apenas no futebol mas também na sociedade brasileira, que tem um histórico de escravidão e preconceito, e que tocar nesse assunto é como se estivessem assumindo ser racistas em um país onde, supostamente, não há diferenças entre raças e todo mundo é tratado de maneira igual”, disse Tonini à Agência FAPESP.
    Justamente por essa falsa percepção de que o Brasil é uma democracia racial, a maioria dos casos de discriminação racial identificada e relatada pelos jogadores se refere ao período em que atuaram no exterior.
    Junior, por exemplo, contou que durante uma partida contra o Juventus, da Itália, no período em que jogou no Torino, alguns torcedores do time rival ergueram uma faixa com expressões racistas direcionadas a ele. Ao ser perguntado por um colega de time se tinha visto a faixa no estádio, o atleta respondeu que não, mas que esse tipo de atitude não lhe incomodava porque vinha de um país onde a miscigenação era total.
    “Isso expressa completamente a ideologia de que vivemos em um país com democracia racial, uma espécie de paraíso onde todas as raças convivem muito bem e sem racismo”, analisou Tonini.
    Segundo o cientista social, os jogadores brasileiros costumam sentir e ser alvos com maior frequência de atitudes racistas no exterior porque em outros países as relações raciais ocorrem de maneira diferente do que no Brasil.
    “Em outros países não importa se um negro tem dinheiro ou não. Se o jogador é negro, ele será discriminado como qualquer outro negro, justamente por sua origem étnica e, em muitos casos, pobre”, comparou Tonini.
    Poucos negros no comando
    A pesquisa de Tonini também desfaz o falso imaginário popular de que o futebol no Brasil é um esporte aberto para os negros e onde eles podem galgar posições na hierarquia do universo profissional do esporte e ascender socialmente.
    À exceção da profissão de jogador, segundo Tonini não é comum ver afrodescendentes em funções de comando no futebol brasileiro, como dirigentes, árbitros ou treinadores de clubes de grande expressão.
    “Se olharmos de longe, vemos que o futebol, comparado com outras áreas sociais, é um espaço mais democrático para os negros. Mas, ao analisar a estrutura do futebol, percebe-se que ele reproduz características peculiares da sociedade brasileira, com suas relações raciais e de poder”, disse.
    Nesse sentido, o caso contado por Lula Pereira é emblemático. Em seu depoimento, o agora treinador relatou que ganhou alguns títulos importantes em clubes pequenos, mas que ainda não teve oportunidade de dirigir um time considerado grande.
    “É como se o negro não soubesse comandar. E isso é um reflexo do passado, em que eles eram escravos e tinham que obedecer aos brancos, sobretudo exercendo trabalhos braçais. Exercer cargos importantes, como de treinadores, árbitros e dirigentes de clubes de futebol, seria inverter por completo a lógica racista de que eles têm que ser subordinados aos brancos”, disse Tonini.
    “Em minha tese de doutorado, pretendo estudar como futebolistas negros que atuaram no Brasil e no exterior avaliam o racismo aqui e lá fora, baseado na hipótese demonstrada de que eles atenuam o discurso sobre racismo no país e que a discriminação aflora ao jogar em clubes internacionais”, disse.