Timão terá shows de Roberto Carlos no Centenário
Eventos com cantor serão parte das comemorações dos cem anos
Roberto Carlos deve ser mais uma atração do Corinthians (Foto: Divulgação)
LANCEPRESS!
As comemorações do Centenário corintiano não param. O Corinthians confirmou dois shows do cantor Roberto Carlos na sequência de eventos para festejar o aniversário do clube paulista.
O primeiro show acontecerá no dia 27 de setembro, no Anhembi, para conselheiros e convidados. Já o segundo será em 27 de novembro, no ginásio do Parque São Jorge, para associados e torcedores.
O primeiro show irá substituir o tradicional jantar de aniversário que o clube promove no Parque São Jorge.
Blog para apresentar, discutir e comentar sobre as diferentes manifestações de preconceito na fala.
sábado, 4 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
COLÓQUIO INTERNACIONAL - 250 anos da ruptura diplomática entre Portugal e Roma.
COLÓQUIO INTERNACIONAL
250 anos da ruptura diplomática entre Portugal e Roma.
Religião e política no mundo português (sécs. XVI-XIX)
UFBa, Salvador – 8 a 10 de novembro de 2010
Em junho de 1760, o núncio apostólico de Lisboa foi expulso de Portugal, sendo suspensas as relações entre Portugal e Roma. A coroa portuguesa acusou o núncio de ter adotado um comportamento hostil ao não acender as luminárias de praxe após o anúncio dos desposórios do infante D. Pedro e da princesa da Beira, D. Maria. Mas a ausência de demonstração de júbilo por parte do núncio teria sido uma reação à omissão do governo que não o comunicou, como era costume, a respeito do casamento. Na verdade, o episódio serviu apenas de pretexto ao governo para romper relações com Roma. Desde a expulsão dos jesuítas, consumada no ano anterior, a coroa portuguesa pressionava a cúria romana para que esta manifestasse apoio ao ato do governo português e condenasse a Companhia de Jesus. A resistência romana levou a coroa lusitana a adotar uma política de afrontamento em relação a Roma. Do ponto de vista interno, a ruptura tornava mais simples a implementação de um projeto reformador que pretendia dotar a Igreja lusitana de um novo modelo eclesiológico e de concepções teológicas até ali minoritárias.
Esta conjuntura é, sem dúvida, um ponto de inflexão importante nas relações entre Igreja e Estado no mundo português. Entretanto, ela não pode ser vista sob todos os aspectos como uma absoluta novidade, pois constitui, em certa medida, o ponto de chegada de um longo processo de dependência, contaminações e dissidências entre estas duas instituições. Daí o interesse de aproveitar a ocasião de um colóquio como este para realizar uma reflexão mais aprofundada sobre aspectos constitutivos desta relação durante a época moderna.
Programação
Quarta-feira, dia 8 de setembro 18:30-19:45
Abertura e
MESA 1: AS VIAS DIPLOMÁTICAS ENTRE LISBOA E ROMA
O Papado e o Império português. Diplomacia e teologia no século XVI
Giuseppe Marcocci (Scuola Normale Superiore di Pisa)
As bulas papais acordadas à coroa portuguesa na metade do século XV ofereceram o fundamento legal do futuro império ultramarino lusitano. A partir da novidade jurídica daquelas constituições apostólicas, a comunicação pretende propor uma interpretação global das teorias do imperialismo português no século XVI, tendo em conta as relações internacionais com as grandes monarquias da Espanha, da França e da Inglaterra. A relativa fraqueza política de Portugal no contexto europeu e a extraordinária dispersão geográfica do império português, que tornava complexa a sua defensa militar, permitem explicar a permanência da centralidade das bulas na legitimação das conquistas e dos monopólios comerciais. Isto levou, de um lado, à criação de um conselho régio, a Mesa da Consciência, com objectivo de limitar as interferências do papado sobre o padroado português, do outro, à definição de um específico pensamento teológico, caracterizado pela recusa demorada das teorias de Francisco de Vitoria e dos mais avançadas mestres de Salamanca. As principais tendências das doutrinas oficiais sobre o império português serão apresentadas, à luz das tensões na diplomacia europeia, até investigar as suas primeiras evoluções na época da mundialização ibérica, após a União dinástica de 1580.
Roma e as “necessidades espirituais do Brasil”. Reflexões feitas a partir da documentação da Propaganda Fide e do Santo Offizio séculos XVII a começos do XVIII
Charlotte de Castelnau-l'Estoile (Paris Ouest - Nanterre La Défense)
A política do Padroado, definida em começos do século XVI entre o papado e a coroa portuguesa, por princípio colocava uma barreira entre Roma e as Igreja de além-mar, entre as quais a do Brasil. Apesar disso, Roma sempre considerou que as questões espirituais permaneciam de seu foro. A Congregação do Santo Ofício, criada em 1542, tinha jurisdição universal sobre a heresia, e a criação, em 1622, da Congregação da Propaganda Fide, foi um sinal ainda mais claro de uma contade de reafirmação do magistério universal. Por meio do estudo de alguns conjuntos documentais referentes ao Brasil mantidos nos arquivos destas duas congregações, tentaremos reavaliar a questão das ligações entre a colônia portuguesa e o centro da catolicidade. Como é o Brasil visto a partir de Roma? Por que recorrer a Roma a partir do Brasil? Estas ligações nos colocam a questão da relação política entre o papado e a coroa portuguesa. A expulsão do Brasil, em 1702, dos capuchinhos franceses, que durante toda a segunda metade do século XVII foram os informadores privilegiados da Propaganda Fide, mostra como toda ligação direta entre Roma e a colônia era vista dede Lisboa como uma ameaça.
Quinta-feira, dia 9 de setembro 09:15-11:15
MESA 2: REGALISMOS E GALICANISMOS
O rei, o papa e a Igreja galicana: aspectos eclesiológicos e políticos dos galicanismos sob o Antigo Regime
Alain Tallon (Université Paris IV – Paris-Sorbonne)
A defesa das liberdades da Igreja galicana e dos privilégios do rei da França face ao papa, foi um dos elementos constituintes da identidade política da monarquia francesa. Este aspecto, amplamente subevaluado pela historiografia, é, na verdade, mais complexo do que um simples “complexo anti-romano”, e os galicanismos – pois aqui o plural deve ser utilizado – contribuiram mais globalmente a uma reflexão sobre o poder da Igreja e no Estado, não sem relevância para suas respectivas evoluções.
As “duas espadas do poder" no império português (séculos XVI-XVIII)
José Pedro Paiva (Universidade de Coimbra)
Ao referir-se à "conquista espiritual do Oriente", o franciscano frei Paulo da Trindade, repescando doutrina que muitos teólogos antes dele já tinham sugerido e que outros seus sucessores continuaram a reproduzir, escrevia, pelo ano de 1639, que "as duas espadas do poder", isto é, o gládio espiritual simbolizador da Igreja e o temporal figurando o Estado estiveram sempre irmanados. Partir-se-á da enunciação sugerida por este autor para, retomando propostas e conceitos interpretativos já por mim enunciados relativamente às linhas de força que pautaram as relações entre a monarquia e a Igreja portuguesa, no quadro de uma leitura que contempla noções como a de disciplamento e confessionalização, propor uma reflexão global sobre os sentidos dessas mesmas relações, privilegiando, agora, o quadro relativo às imbrincações destas duas instâncias no império português durante a época moderna.
El regalismo borbónico y la importación del galicanismo: El camino político hacia una religión de estado en la España del siglo XVIII
Andrea Smidt-Sittema (Geneva College)
El siglo XVIII experimentó un marcado cambio en la cultura institucional española bajo el régimen de la dinastía borbónica. En la primera mitad del siglo, el regalismo llevó a la acogida de la Ilustración católica y a una política pro-jesuita que incrementó la autoridad política de la Corona sobre la Iglesia católica. Pero fue en el reinado de Carlos III – coincidiendo con lo que se consideraba la cumbre de la Ilustración española – cuando se consolidaron los anteriores logros políticos, dando lugar a algo que aparacía una Iglesia Regia, independiente de Roma. Este estudio ilustra los esfuerzos de la monarquía por nacionalizar la Iglesia católica en la España del siglo XVIII, la resistencia que encontró en este proceso en diversos frentes, y las consequencias que tales esfuerzos tendrían para el escenario político y religioso del pais a las puertas del siglo XIX.
Quinta-feira, dia 9 de setembro 11:30-12:30
MESA 3: A PROBLEMÁTICA INDÍGENA
"Aver-se feito fruito muyto e nenhum prejuízo ao sigillo da confissão": missionários, índios e comunicação.
Ângela Domingues (Instituto de Ciências Tropicais – Lisboa)
A chegada dos portugueses ao litoral brasileiro levantou problemas de comunicação entre grupos que não falavam a mesma língua, não possuíam os mesmos sistemas de valores, nem dominavam os mesmos códigos, dando diferentes interpretações a gestos e sinais, símbolos e signos. Os métodos para estabelecer uma comunicação inicial foram: linguagem gestual, dádivas de presentes, aprendizagem da língua do interlocutor, meio considerado indispensável para definir a soberania territorial, implantar o domínio colonial e aculturar e evangelizar os índios. Neste processo, os missionários tiveram um papel fundamental: na percepção das culturas indígenas, na medida em que viviam entre os índios, moravam nas suas casas, alimentavam-se dos mesmos alimentos, falavam as línguas ameríndias, embora devessem manter um comportamento ético e moral inalterado, consentâneo com a sua fé, religião, cultura e estatuto. A conversão dos índios bárbaros e pagãos em terras brasílicas era a sua prioridade, sendo a aprendizagem das línguas ameríndias veículo de persuasão e instigador de confiança entre missionários e ameríndios. Para comunicar, os missionários socorreram-se de intérpretes, que frequentemente não tinham conhecimentos dos conceitos teológicos e espirituais do catolicismo e cuja participação no acto da confissão foi factor de instabilidade e debate, bem como da aprendizagem e ensino das línguas ameríndias, processo no qual irmãos como Pêro Correia, João de Azpilcueta Navarro ou José de Anchieta se mostraram particularmente hábeis e que se espelhou na criação de gramáticas, dicionários, catecismos e traduções, nomeadamente de "peças teatrais" com propósitos educativos e pedagógicos claros..
Os Índios da Capitania de Porto Seguro sob o Diretório Pombalino
Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (UFBa)
Para o Diretório Pombalino, a Capitania de Porto Seguro, até ser incorporada à Real Coroa, se encontrava, em sua maior parte, “tiranizada pela arrogância e cobiça dos chamados jesuítas” (RIGHB, 1916). Urgia, pois, reduzir essa importante parte do continente a um país civilizado, em beneficio comum da programação do Evangelho, dos habitantes da mesma Capitania, “até agora bárbaros”, dos vassalos desse continente e do comércio que todas as outras partes dos reinos de Sua Majestade faziam nos domínios do Brasil. O propósito seria fazer com que os seus habitantes, como os “os outros povos daquella costa”, pudessem utilizar-se dos benefícios decorrentes das novas ordens, sob o suposto de que “todos os que vivem naquella vasta extensão do Paiz, se achão no estado de Feras, sem conhecerem o catholicismo nem cousa que seja sociedade humana, e sem saberem que couza seja caridade, virtude tão importante para a convivencia dos Homens; e ultimamente sem a mais leve idea do que seja justiça”, à luz do qual Sua Majestade queria educar aquela rústica gente tanto na cristandade quanto na sociedade e civilidade (RIGHB, 1916). A comunicação ora proposta tem como objetivo tratar, simultaneamente, dos mecanismos e estratégias acionados, sob as administrações dos ouvidores Thomé Couceiro de Abreu e José Xavier Machado Monteiro (1763-1777), para atingir tais objetivos – educar os Índios na cristandade, sociedade e civilidade – e das implicações daí decorrentes para os diretamente atingidos.
Quinta-feira, dia 9 de setembro 14:30-16:15
MESA 4: DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES
Festas públicas na década de 1760: ecos da ruptura na urbe colonial
Iris Kantor (USP)
Nesta comunicação pretende-se avaliar o impacto da ruptura diplomática entre Portugal e a Santa Sé na perspectiva dos cerimoniais e celebrações públicas realizadas na América portuguesa. Por intermédio dos panegíricos festivos manuscritos e impressos publicados durante o reinado de D. José I, analizaremos as transformações e permanências das liturgias eclesiásticas e da cultura festiva praticada desde a primeira metade do século XVIII.
Produção, circulação e censuras de panfletos e manuscritos proféticos no século XVIII e a formulação de projetos políticos e messiânicos para a monarquia portuguesa
Luís Filipe Silvério Lima (Unifesp)
A proposta dessa comunicação é discutir os textos proféticos, de cariz sebastianista ou brigantino, que foram produzidos ou que circularam ao longo dos reinados de João V e José I. Tendo ora um caráter crítico ao reinado dos Bragança, como no caso do segundo corpo das Trovas de Bandarra, ora de consagração da dinastia como escolhida para levar o Quinto Império, como os textos de Anselmo Caetano, a posição da coroa frente a esse gênero profético também variou. De um apoio tímido aos escritos brigantinos e censura pontual aos sebastianistas na primeira metade do século, a partir da década de 1750 foram alvo de um política sistemática de interdição, sendo uma das faces visíveis as seguidas decisões da Real Mesa Censória em proibir e destruir as obras indistintamente chamadas de sebastianistas, e então identificadas como invenções dos jesuítas e particularmente de Antônio Vieira. Pretende-se ao mapear essas mudanças, verificar as relações entre as concepções de monarquia e de poder gestadas ao longo do século XVIII e a aderência (ou não) dos projetos profético-messiânicos existentes, dispostos entre o arco do sebastianismo e messianismo brigantino.
Pintura monumental no Terreiro de Jesus: jogo de espelhos entre política e religião
Giuseppina Raggi (CHAM - FCSH/UNL)
Ao analizarmos as pinturas de arquitectura em perspectiva no Terreiro de Jesus de Salvador, descobrimos como questões de estilo, transmissão e recepção de modelos remetem a uma dinâmica mais complexa, onde o entendimento da fábrica simbólica passa pela compreensão dos delicados equilíbrios de poder entre política e religião no Império português. Mostrarei esta relação através de uma nova interpretação dos espaços (construídos e pintados) da Biblioteca de Coimbra (1717-1728), da Biblioteca do Colégio dos Jesuítas (post 1735) e da igreja da Ordem Terceira de S. Domingos (antes 1759) em Salvador. A complexa política do reinado de D. João V reflecte-se na falhada tentativa de renovação do ensino na Universidade de Coimbra, espelhada no espaço simbólico da Biblioteca Joanina. A ação do Marquês de Pombal implementará algumas vertentes aí presentes, embora re-contextualizadas dentro do seu programa político. A visão omnicomprensiva do Sabio Christão promovida por D. João V recebe, entretanto, diferente resposta na Biblioteca dos Jesuítas de Salvador. Este espaço apresenta-se como afirmação da idéia vieiriana da Sabedoria atingida através da ação dos Inacianos na história. A dinâmica histórica que levará à expulsão dos Jesuítas, evidencia, ao mesmo tempo, a difusão da utilização da quadratura por parte de Dominicanos e Franciscanos baianos, entre os quais figura frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, membro da Academia dos Renascidos (1759) e autor do Orbe Seráfico Novo Brasílico (1761). Interessante será, por fim, considerarmos o renovado vigor da quadratura em Salvador durante os anos de reaproximação da política pombalina a Roma (1770-1777). Há uma conexão constante entre quadratura e construção religiosa do Novo Mundo apesar das descontinuidades políticas ou, talvez, mesmo graças a elas.
Sexta-feira, dia 10 de setembro, 09:15-11:15
MESA 5: CONGREGAÇÕES RELIGIOSAS E POLÍTICA
Memória conventual e política no Portugal dos séculos XVII e XVIII
Lígia Bellini (UFBa)
A comunicação examina vínculos e negociações envolvendo conventos masculinos e femininos, famílias nobres e a corte, que emergem do estudo de crônicas de autoria de religiosos em Portugal no Antigo Regime, ligações das quais a própria escrita destes textos pode ser considerada parte integrante. Tais vínculos incluíam também o ingresso, nos mosteiros, de indivíduos oriundos da nobreza, manifestações de fidelidade política por parte dos religiosos, e favores e doações da família real e de membros da aristocracia às casas monásticas, entre outras práticas. Crônicas conventuais, que discorrem sobre a trajetória histórica das comunidades no decorrer de longos períodos, os eventos relevantes a elas relacionados e memórias biográficas de frades ou freiras veneráveis, evidenciam mudanças nas afiliações, associadas às transformações políticas nas esferas de poder local e central.
As crônicas de Alcobaça e a história de Portugal
Ana Paula Torres Megiani (USP)
A "Monarquia Lusitana" pode ser considerada a obra mais importante sobre a História de Portugal no século XVII. Sua concepção, redação e edição ocorreu ao longo de praticamente um século, tendo contado oficialmente com a participação de cinco cronistas do reino, todos pertencentes à ordem cisterciense de Alcobaça. Concebida por Frei Bernardo de Brito, a obra divide-se em oito partes, com cerca de 18 volumes. Contudo, até hoje não se dedicou a ela um estudo sistemático que nos permita conhecer as fontes utilizadas, suas características retóricas e as principais influências do pensamento pós-tridentino nela presentes. Esta comunicação tem por objetivo realizar uma aproximação da obra, que teve também como responsáveis os freis António Brandão e seu sobrinho Francisco Brandão, ambos muito próximos do círculo eborense do chantre Manoel Severim de Faria, sobre o qual temos dedicado nossas pesquisas nos últimos anos. A mais recente delas, o estudo do "Diccionário das Antiguidades de Portugal" demonstrou que os freis Brandão foram também autores de vários dos verbetes utilizando a própria "Monarquia Lusitana" como referência de seus textos.
Os oratorianos na década de 60 do século XVIII: luzes e sombras.
Zulmira Coelho Santos (Universidade do Porto)
Estudando diferentes orientações eclesiológicas e devocionais de vários membros da congregação do Oratório, nos anos 60-70 do século XVIII, esta comunicação pretende evidenciar as linhas de “confronto” que caracterizaram a actuação da Congregação nos anos da ruptura diplomática com Roma.
Sexta-feira, dia 10 de setembro 11:30-12:30
MESA 6: POLÍTICAS RELIGIOSAS
Confessionalização e formas de disciplinamento em Portugal e no seu Império na época moderna
Federico Palomo (Universidad Complutense de Madrid)
A nossa comunicação visa analisar e discutir a pertinência (e os limites) no uso de certas categorias historiográficas, como as de confessionalização e disciplinamento social, no estudo da história religiosa dos vários espaços que conformaram a monarquia portuguesa na época moderna. Nas últimas décadas, ambos os conceitos foram largamente debatidos e utilizados enquanto instrumentos para a compreensão das transformações de natureza política, social, religiosa e cultural que ocorreram nos contextos europeus dos séculos XVI a XVIII. Ao mesmo tempo, alguns trabalhos recentes têm vindo a sublinhar a conveniência de interpretar os projectos religiosos que animaram as experiências imperiais ibéricas, sob perspectivas semelhantes, permitindo sublinhar assim as continuidades que, desde o ponto de vista das políticas confessionais, se estabeleceram entre o mundo metropolitano e os espaços coloniais. Neste sentido, a análise visará, num primeiro momento, alguns dos planos que a Coroa portuguesa promoveu no campo religioso quer em Portugal quer nos cenários imperiais lusos (Índia e América portuguesa), destacando as lógicas comuns que vincularam tais iniciativas, apesar das realidades diferentes que confrotaram; num segundo momento, o estudo centrar-se-á nos vários instrumentos e práticas que serviram para o disciplinamento religioso das populações nos diferentes contextos analisados, com particular destaque para aquelas estratégias e dispositivos que, face às formas de coerção, procuravam uma eficácia mais persuasiva, assente no uso de uma panóplia de recursos comunicativos.
Molinosismo e política
Pedro Tavares (Universidade do Porto)
Revisitando os contextos de afirmação inicial, manutenção e frequência de ciclos repressivos na sociedade portuguesa referentes ao molinosismo, o autor propõe-se evocar o quadro diplomático e político que lhes corresponde, outrossim relevando as mais plausíveis razões de "contaminação" do "registo" teológico de abordagem das matérias em apreço - sempre que se fala de “molinosismo” - por factores de ordem política "oportunística" (seja ao nível da exploração de imagens públicas tornadas correntes, seja ao nível do questionamento das consequências sociais dos próprios princípios alegadamente norteadores da vida devota e da iniciação mística).
Sexta-feira, dia 10 de setembro 14:30-16:15
MESA 7: A RUPTURA DE 1760: CONTEXTOS
O discreto valimento de um purpurado. D. João da Mota e Silva (1691-1747)
Tiago C. P. dos Reis Miranda (CHAM - FCSH/UNL)
Depois do governo do Conde de Castelo Melhor, e até ao reinado de D. José, poucos ministros ousaram assumir abertamente a condição de validos. D. João V teve, porém, diversos conselheiros privados, secretários de confiança e "homens-de-mão" que, em dados períodos, coordenaram os esforços de acção da Coroa, em mais de uma área: o Bispo de Targa, o Marquês de Alegrete, o Secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte Real, Fr. Gaspar da Encarnação e o Cardeal D. João da Mota. Deste último parecem ter sido os poderes e as competências mais abrangentes, apesar de não respaldadas por qualquer tipo de título legal. Os documentos do seu cartório, que sobreviveram em boa parte na Secretaria de Estado da Marinha e do Ultramar, permitem entender um pouco melhor os motivos dessa discrição.
A Inquisição pombalina: aspectos jurídicos
Bruno Feitler (Unifesp)
São bem conhecidas as reformas instauradas durante o consulado pombalino em relação à Inquisição portuguesa: desde a mudança do seu estatuto (a partir de então, tribunal régio) a questões técnicas ligadas ao uso da tortura, por exemplo. Tentaremos aqui vislumbrar as origens de alguns aspectos dessas mudanças, sobretudo pelo que toca a evolução interna da instituição.
Os homens de Igreja e a construção de uma nova relação entre Igreja e Estado no período pombalino
Evergton Sales Souza (UFBA)
A nova relação Estado e Igreja construída no período pombalino constitui, em certa medida, o ponto de chegada de um longo processo de dependência, contaminações e dissidências entre estas duas instituições. Mas ela é também um ponto de partida. Pela primeira vez, no mundo português, um projeto político governamental, claramente definido, buscou submeter a Igreja ao controle estatal. Qual foi o papel dos homens de Igreja na execução deste projeto? O que poderia ter movido sua adesão ao projeto. Na presente comunicação pretendemos oferecer algumas possibilidades de resposta a estas indagações.
250 anos da ruptura diplomática entre Portugal e Roma.
Religião e política no mundo português (sécs. XVI-XIX)
UFBa, Salvador – 8 a 10 de novembro de 2010
Em junho de 1760, o núncio apostólico de Lisboa foi expulso de Portugal, sendo suspensas as relações entre Portugal e Roma. A coroa portuguesa acusou o núncio de ter adotado um comportamento hostil ao não acender as luminárias de praxe após o anúncio dos desposórios do infante D. Pedro e da princesa da Beira, D. Maria. Mas a ausência de demonstração de júbilo por parte do núncio teria sido uma reação à omissão do governo que não o comunicou, como era costume, a respeito do casamento. Na verdade, o episódio serviu apenas de pretexto ao governo para romper relações com Roma. Desde a expulsão dos jesuítas, consumada no ano anterior, a coroa portuguesa pressionava a cúria romana para que esta manifestasse apoio ao ato do governo português e condenasse a Companhia de Jesus. A resistência romana levou a coroa lusitana a adotar uma política de afrontamento em relação a Roma. Do ponto de vista interno, a ruptura tornava mais simples a implementação de um projeto reformador que pretendia dotar a Igreja lusitana de um novo modelo eclesiológico e de concepções teológicas até ali minoritárias.
Esta conjuntura é, sem dúvida, um ponto de inflexão importante nas relações entre Igreja e Estado no mundo português. Entretanto, ela não pode ser vista sob todos os aspectos como uma absoluta novidade, pois constitui, em certa medida, o ponto de chegada de um longo processo de dependência, contaminações e dissidências entre estas duas instituições. Daí o interesse de aproveitar a ocasião de um colóquio como este para realizar uma reflexão mais aprofundada sobre aspectos constitutivos desta relação durante a época moderna.
Programação
Quarta-feira, dia 8 de setembro 18:30-19:45
Abertura e
MESA 1: AS VIAS DIPLOMÁTICAS ENTRE LISBOA E ROMA
O Papado e o Império português. Diplomacia e teologia no século XVI
Giuseppe Marcocci (Scuola Normale Superiore di Pisa)
As bulas papais acordadas à coroa portuguesa na metade do século XV ofereceram o fundamento legal do futuro império ultramarino lusitano. A partir da novidade jurídica daquelas constituições apostólicas, a comunicação pretende propor uma interpretação global das teorias do imperialismo português no século XVI, tendo em conta as relações internacionais com as grandes monarquias da Espanha, da França e da Inglaterra. A relativa fraqueza política de Portugal no contexto europeu e a extraordinária dispersão geográfica do império português, que tornava complexa a sua defensa militar, permitem explicar a permanência da centralidade das bulas na legitimação das conquistas e dos monopólios comerciais. Isto levou, de um lado, à criação de um conselho régio, a Mesa da Consciência, com objectivo de limitar as interferências do papado sobre o padroado português, do outro, à definição de um específico pensamento teológico, caracterizado pela recusa demorada das teorias de Francisco de Vitoria e dos mais avançadas mestres de Salamanca. As principais tendências das doutrinas oficiais sobre o império português serão apresentadas, à luz das tensões na diplomacia europeia, até investigar as suas primeiras evoluções na época da mundialização ibérica, após a União dinástica de 1580.
Roma e as “necessidades espirituais do Brasil”. Reflexões feitas a partir da documentação da Propaganda Fide e do Santo Offizio séculos XVII a começos do XVIII
Charlotte de Castelnau-l'Estoile (Paris Ouest - Nanterre La Défense)
A política do Padroado, definida em começos do século XVI entre o papado e a coroa portuguesa, por princípio colocava uma barreira entre Roma e as Igreja de além-mar, entre as quais a do Brasil. Apesar disso, Roma sempre considerou que as questões espirituais permaneciam de seu foro. A Congregação do Santo Ofício, criada em 1542, tinha jurisdição universal sobre a heresia, e a criação, em 1622, da Congregação da Propaganda Fide, foi um sinal ainda mais claro de uma contade de reafirmação do magistério universal. Por meio do estudo de alguns conjuntos documentais referentes ao Brasil mantidos nos arquivos destas duas congregações, tentaremos reavaliar a questão das ligações entre a colônia portuguesa e o centro da catolicidade. Como é o Brasil visto a partir de Roma? Por que recorrer a Roma a partir do Brasil? Estas ligações nos colocam a questão da relação política entre o papado e a coroa portuguesa. A expulsão do Brasil, em 1702, dos capuchinhos franceses, que durante toda a segunda metade do século XVII foram os informadores privilegiados da Propaganda Fide, mostra como toda ligação direta entre Roma e a colônia era vista dede Lisboa como uma ameaça.
Quinta-feira, dia 9 de setembro 09:15-11:15
MESA 2: REGALISMOS E GALICANISMOS
O rei, o papa e a Igreja galicana: aspectos eclesiológicos e políticos dos galicanismos sob o Antigo Regime
Alain Tallon (Université Paris IV – Paris-Sorbonne)
A defesa das liberdades da Igreja galicana e dos privilégios do rei da França face ao papa, foi um dos elementos constituintes da identidade política da monarquia francesa. Este aspecto, amplamente subevaluado pela historiografia, é, na verdade, mais complexo do que um simples “complexo anti-romano”, e os galicanismos – pois aqui o plural deve ser utilizado – contribuiram mais globalmente a uma reflexão sobre o poder da Igreja e no Estado, não sem relevância para suas respectivas evoluções.
As “duas espadas do poder" no império português (séculos XVI-XVIII)
José Pedro Paiva (Universidade de Coimbra)
Ao referir-se à "conquista espiritual do Oriente", o franciscano frei Paulo da Trindade, repescando doutrina que muitos teólogos antes dele já tinham sugerido e que outros seus sucessores continuaram a reproduzir, escrevia, pelo ano de 1639, que "as duas espadas do poder", isto é, o gládio espiritual simbolizador da Igreja e o temporal figurando o Estado estiveram sempre irmanados. Partir-se-á da enunciação sugerida por este autor para, retomando propostas e conceitos interpretativos já por mim enunciados relativamente às linhas de força que pautaram as relações entre a monarquia e a Igreja portuguesa, no quadro de uma leitura que contempla noções como a de disciplamento e confessionalização, propor uma reflexão global sobre os sentidos dessas mesmas relações, privilegiando, agora, o quadro relativo às imbrincações destas duas instâncias no império português durante a época moderna.
El regalismo borbónico y la importación del galicanismo: El camino político hacia una religión de estado en la España del siglo XVIII
Andrea Smidt-Sittema (Geneva College)
El siglo XVIII experimentó un marcado cambio en la cultura institucional española bajo el régimen de la dinastía borbónica. En la primera mitad del siglo, el regalismo llevó a la acogida de la Ilustración católica y a una política pro-jesuita que incrementó la autoridad política de la Corona sobre la Iglesia católica. Pero fue en el reinado de Carlos III – coincidiendo con lo que se consideraba la cumbre de la Ilustración española – cuando se consolidaron los anteriores logros políticos, dando lugar a algo que aparacía una Iglesia Regia, independiente de Roma. Este estudio ilustra los esfuerzos de la monarquía por nacionalizar la Iglesia católica en la España del siglo XVIII, la resistencia que encontró en este proceso en diversos frentes, y las consequencias que tales esfuerzos tendrían para el escenario político y religioso del pais a las puertas del siglo XIX.
Quinta-feira, dia 9 de setembro 11:30-12:30
MESA 3: A PROBLEMÁTICA INDÍGENA
"Aver-se feito fruito muyto e nenhum prejuízo ao sigillo da confissão": missionários, índios e comunicação.
Ângela Domingues (Instituto de Ciências Tropicais – Lisboa)
A chegada dos portugueses ao litoral brasileiro levantou problemas de comunicação entre grupos que não falavam a mesma língua, não possuíam os mesmos sistemas de valores, nem dominavam os mesmos códigos, dando diferentes interpretações a gestos e sinais, símbolos e signos. Os métodos para estabelecer uma comunicação inicial foram: linguagem gestual, dádivas de presentes, aprendizagem da língua do interlocutor, meio considerado indispensável para definir a soberania territorial, implantar o domínio colonial e aculturar e evangelizar os índios. Neste processo, os missionários tiveram um papel fundamental: na percepção das culturas indígenas, na medida em que viviam entre os índios, moravam nas suas casas, alimentavam-se dos mesmos alimentos, falavam as línguas ameríndias, embora devessem manter um comportamento ético e moral inalterado, consentâneo com a sua fé, religião, cultura e estatuto. A conversão dos índios bárbaros e pagãos em terras brasílicas era a sua prioridade, sendo a aprendizagem das línguas ameríndias veículo de persuasão e instigador de confiança entre missionários e ameríndios. Para comunicar, os missionários socorreram-se de intérpretes, que frequentemente não tinham conhecimentos dos conceitos teológicos e espirituais do catolicismo e cuja participação no acto da confissão foi factor de instabilidade e debate, bem como da aprendizagem e ensino das línguas ameríndias, processo no qual irmãos como Pêro Correia, João de Azpilcueta Navarro ou José de Anchieta se mostraram particularmente hábeis e que se espelhou na criação de gramáticas, dicionários, catecismos e traduções, nomeadamente de "peças teatrais" com propósitos educativos e pedagógicos claros..
Os Índios da Capitania de Porto Seguro sob o Diretório Pombalino
Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (UFBa)
Para o Diretório Pombalino, a Capitania de Porto Seguro, até ser incorporada à Real Coroa, se encontrava, em sua maior parte, “tiranizada pela arrogância e cobiça dos chamados jesuítas” (RIGHB, 1916). Urgia, pois, reduzir essa importante parte do continente a um país civilizado, em beneficio comum da programação do Evangelho, dos habitantes da mesma Capitania, “até agora bárbaros”, dos vassalos desse continente e do comércio que todas as outras partes dos reinos de Sua Majestade faziam nos domínios do Brasil. O propósito seria fazer com que os seus habitantes, como os “os outros povos daquella costa”, pudessem utilizar-se dos benefícios decorrentes das novas ordens, sob o suposto de que “todos os que vivem naquella vasta extensão do Paiz, se achão no estado de Feras, sem conhecerem o catholicismo nem cousa que seja sociedade humana, e sem saberem que couza seja caridade, virtude tão importante para a convivencia dos Homens; e ultimamente sem a mais leve idea do que seja justiça”, à luz do qual Sua Majestade queria educar aquela rústica gente tanto na cristandade quanto na sociedade e civilidade (RIGHB, 1916). A comunicação ora proposta tem como objetivo tratar, simultaneamente, dos mecanismos e estratégias acionados, sob as administrações dos ouvidores Thomé Couceiro de Abreu e José Xavier Machado Monteiro (1763-1777), para atingir tais objetivos – educar os Índios na cristandade, sociedade e civilidade – e das implicações daí decorrentes para os diretamente atingidos.
Quinta-feira, dia 9 de setembro 14:30-16:15
MESA 4: DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES
Festas públicas na década de 1760: ecos da ruptura na urbe colonial
Iris Kantor (USP)
Nesta comunicação pretende-se avaliar o impacto da ruptura diplomática entre Portugal e a Santa Sé na perspectiva dos cerimoniais e celebrações públicas realizadas na América portuguesa. Por intermédio dos panegíricos festivos manuscritos e impressos publicados durante o reinado de D. José I, analizaremos as transformações e permanências das liturgias eclesiásticas e da cultura festiva praticada desde a primeira metade do século XVIII.
Produção, circulação e censuras de panfletos e manuscritos proféticos no século XVIII e a formulação de projetos políticos e messiânicos para a monarquia portuguesa
Luís Filipe Silvério Lima (Unifesp)
A proposta dessa comunicação é discutir os textos proféticos, de cariz sebastianista ou brigantino, que foram produzidos ou que circularam ao longo dos reinados de João V e José I. Tendo ora um caráter crítico ao reinado dos Bragança, como no caso do segundo corpo das Trovas de Bandarra, ora de consagração da dinastia como escolhida para levar o Quinto Império, como os textos de Anselmo Caetano, a posição da coroa frente a esse gênero profético também variou. De um apoio tímido aos escritos brigantinos e censura pontual aos sebastianistas na primeira metade do século, a partir da década de 1750 foram alvo de um política sistemática de interdição, sendo uma das faces visíveis as seguidas decisões da Real Mesa Censória em proibir e destruir as obras indistintamente chamadas de sebastianistas, e então identificadas como invenções dos jesuítas e particularmente de Antônio Vieira. Pretende-se ao mapear essas mudanças, verificar as relações entre as concepções de monarquia e de poder gestadas ao longo do século XVIII e a aderência (ou não) dos projetos profético-messiânicos existentes, dispostos entre o arco do sebastianismo e messianismo brigantino.
Pintura monumental no Terreiro de Jesus: jogo de espelhos entre política e religião
Giuseppina Raggi (CHAM - FCSH/UNL)
Ao analizarmos as pinturas de arquitectura em perspectiva no Terreiro de Jesus de Salvador, descobrimos como questões de estilo, transmissão e recepção de modelos remetem a uma dinâmica mais complexa, onde o entendimento da fábrica simbólica passa pela compreensão dos delicados equilíbrios de poder entre política e religião no Império português. Mostrarei esta relação através de uma nova interpretação dos espaços (construídos e pintados) da Biblioteca de Coimbra (1717-1728), da Biblioteca do Colégio dos Jesuítas (post 1735) e da igreja da Ordem Terceira de S. Domingos (antes 1759) em Salvador. A complexa política do reinado de D. João V reflecte-se na falhada tentativa de renovação do ensino na Universidade de Coimbra, espelhada no espaço simbólico da Biblioteca Joanina. A ação do Marquês de Pombal implementará algumas vertentes aí presentes, embora re-contextualizadas dentro do seu programa político. A visão omnicomprensiva do Sabio Christão promovida por D. João V recebe, entretanto, diferente resposta na Biblioteca dos Jesuítas de Salvador. Este espaço apresenta-se como afirmação da idéia vieiriana da Sabedoria atingida através da ação dos Inacianos na história. A dinâmica histórica que levará à expulsão dos Jesuítas, evidencia, ao mesmo tempo, a difusão da utilização da quadratura por parte de Dominicanos e Franciscanos baianos, entre os quais figura frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, membro da Academia dos Renascidos (1759) e autor do Orbe Seráfico Novo Brasílico (1761). Interessante será, por fim, considerarmos o renovado vigor da quadratura em Salvador durante os anos de reaproximação da política pombalina a Roma (1770-1777). Há uma conexão constante entre quadratura e construção religiosa do Novo Mundo apesar das descontinuidades políticas ou, talvez, mesmo graças a elas.
Sexta-feira, dia 10 de setembro, 09:15-11:15
MESA 5: CONGREGAÇÕES RELIGIOSAS E POLÍTICA
Memória conventual e política no Portugal dos séculos XVII e XVIII
Lígia Bellini (UFBa)
A comunicação examina vínculos e negociações envolvendo conventos masculinos e femininos, famílias nobres e a corte, que emergem do estudo de crônicas de autoria de religiosos em Portugal no Antigo Regime, ligações das quais a própria escrita destes textos pode ser considerada parte integrante. Tais vínculos incluíam também o ingresso, nos mosteiros, de indivíduos oriundos da nobreza, manifestações de fidelidade política por parte dos religiosos, e favores e doações da família real e de membros da aristocracia às casas monásticas, entre outras práticas. Crônicas conventuais, que discorrem sobre a trajetória histórica das comunidades no decorrer de longos períodos, os eventos relevantes a elas relacionados e memórias biográficas de frades ou freiras veneráveis, evidenciam mudanças nas afiliações, associadas às transformações políticas nas esferas de poder local e central.
As crônicas de Alcobaça e a história de Portugal
Ana Paula Torres Megiani (USP)
A "Monarquia Lusitana" pode ser considerada a obra mais importante sobre a História de Portugal no século XVII. Sua concepção, redação e edição ocorreu ao longo de praticamente um século, tendo contado oficialmente com a participação de cinco cronistas do reino, todos pertencentes à ordem cisterciense de Alcobaça. Concebida por Frei Bernardo de Brito, a obra divide-se em oito partes, com cerca de 18 volumes. Contudo, até hoje não se dedicou a ela um estudo sistemático que nos permita conhecer as fontes utilizadas, suas características retóricas e as principais influências do pensamento pós-tridentino nela presentes. Esta comunicação tem por objetivo realizar uma aproximação da obra, que teve também como responsáveis os freis António Brandão e seu sobrinho Francisco Brandão, ambos muito próximos do círculo eborense do chantre Manoel Severim de Faria, sobre o qual temos dedicado nossas pesquisas nos últimos anos. A mais recente delas, o estudo do "Diccionário das Antiguidades de Portugal" demonstrou que os freis Brandão foram também autores de vários dos verbetes utilizando a própria "Monarquia Lusitana" como referência de seus textos.
Os oratorianos na década de 60 do século XVIII: luzes e sombras.
Zulmira Coelho Santos (Universidade do Porto)
Estudando diferentes orientações eclesiológicas e devocionais de vários membros da congregação do Oratório, nos anos 60-70 do século XVIII, esta comunicação pretende evidenciar as linhas de “confronto” que caracterizaram a actuação da Congregação nos anos da ruptura diplomática com Roma.
Sexta-feira, dia 10 de setembro 11:30-12:30
MESA 6: POLÍTICAS RELIGIOSAS
Confessionalização e formas de disciplinamento em Portugal e no seu Império na época moderna
Federico Palomo (Universidad Complutense de Madrid)
A nossa comunicação visa analisar e discutir a pertinência (e os limites) no uso de certas categorias historiográficas, como as de confessionalização e disciplinamento social, no estudo da história religiosa dos vários espaços que conformaram a monarquia portuguesa na época moderna. Nas últimas décadas, ambos os conceitos foram largamente debatidos e utilizados enquanto instrumentos para a compreensão das transformações de natureza política, social, religiosa e cultural que ocorreram nos contextos europeus dos séculos XVI a XVIII. Ao mesmo tempo, alguns trabalhos recentes têm vindo a sublinhar a conveniência de interpretar os projectos religiosos que animaram as experiências imperiais ibéricas, sob perspectivas semelhantes, permitindo sublinhar assim as continuidades que, desde o ponto de vista das políticas confessionais, se estabeleceram entre o mundo metropolitano e os espaços coloniais. Neste sentido, a análise visará, num primeiro momento, alguns dos planos que a Coroa portuguesa promoveu no campo religioso quer em Portugal quer nos cenários imperiais lusos (Índia e América portuguesa), destacando as lógicas comuns que vincularam tais iniciativas, apesar das realidades diferentes que confrotaram; num segundo momento, o estudo centrar-se-á nos vários instrumentos e práticas que serviram para o disciplinamento religioso das populações nos diferentes contextos analisados, com particular destaque para aquelas estratégias e dispositivos que, face às formas de coerção, procuravam uma eficácia mais persuasiva, assente no uso de uma panóplia de recursos comunicativos.
Molinosismo e política
Pedro Tavares (Universidade do Porto)
Revisitando os contextos de afirmação inicial, manutenção e frequência de ciclos repressivos na sociedade portuguesa referentes ao molinosismo, o autor propõe-se evocar o quadro diplomático e político que lhes corresponde, outrossim relevando as mais plausíveis razões de "contaminação" do "registo" teológico de abordagem das matérias em apreço - sempre que se fala de “molinosismo” - por factores de ordem política "oportunística" (seja ao nível da exploração de imagens públicas tornadas correntes, seja ao nível do questionamento das consequências sociais dos próprios princípios alegadamente norteadores da vida devota e da iniciação mística).
Sexta-feira, dia 10 de setembro 14:30-16:15
MESA 7: A RUPTURA DE 1760: CONTEXTOS
O discreto valimento de um purpurado. D. João da Mota e Silva (1691-1747)
Tiago C. P. dos Reis Miranda (CHAM - FCSH/UNL)
Depois do governo do Conde de Castelo Melhor, e até ao reinado de D. José, poucos ministros ousaram assumir abertamente a condição de validos. D. João V teve, porém, diversos conselheiros privados, secretários de confiança e "homens-de-mão" que, em dados períodos, coordenaram os esforços de acção da Coroa, em mais de uma área: o Bispo de Targa, o Marquês de Alegrete, o Secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte Real, Fr. Gaspar da Encarnação e o Cardeal D. João da Mota. Deste último parecem ter sido os poderes e as competências mais abrangentes, apesar de não respaldadas por qualquer tipo de título legal. Os documentos do seu cartório, que sobreviveram em boa parte na Secretaria de Estado da Marinha e do Ultramar, permitem entender um pouco melhor os motivos dessa discrição.
A Inquisição pombalina: aspectos jurídicos
Bruno Feitler (Unifesp)
São bem conhecidas as reformas instauradas durante o consulado pombalino em relação à Inquisição portuguesa: desde a mudança do seu estatuto (a partir de então, tribunal régio) a questões técnicas ligadas ao uso da tortura, por exemplo. Tentaremos aqui vislumbrar as origens de alguns aspectos dessas mudanças, sobretudo pelo que toca a evolução interna da instituição.
Os homens de Igreja e a construção de uma nova relação entre Igreja e Estado no período pombalino
Evergton Sales Souza (UFBA)
A nova relação Estado e Igreja construída no período pombalino constitui, em certa medida, o ponto de chegada de um longo processo de dependência, contaminações e dissidências entre estas duas instituições. Mas ela é também um ponto de partida. Pela primeira vez, no mundo português, um projeto político governamental, claramente definido, buscou submeter a Igreja ao controle estatal. Qual foi o papel dos homens de Igreja na execução deste projeto? O que poderia ter movido sua adesão ao projeto. Na presente comunicação pretendemos oferecer algumas possibilidades de resposta a estas indagações.
Etnomusicóloga de renome internacional que estará em Salvador até o dia 4 de setembro.
A Escola de Música da UFBA (EMUS) recebeu desde segunda-feira (30 de agosto) a visita da professora da Universidade Nova de Lisboa Salwa El-Shawan Castelo-Branco, etnomusicóloga de renome internacional que estará em Salvador até o dia 4 de setembro. De acordo com sua agenda, na segunda-feira ela participou da banca de defesa de tese de Luciano Caroso e nestas quarta e quinta-feira manterá, das 11 às 13h, encontros públicos com professores e estudantes das áreas afins, sobre os seguintes temas: categorização de gêneros musicais e processo de construção de uma obra de referência musical portuguesa, seus assuntos e as tendências científicas que reflete, respectivamente. As atividades acontecem na Sala 102 da EMUS (Rua Basílio da Gama s/n – Canela), com entrada franqueada aos interessados. Mais informações podem ser obtidas pelo telefones (71) 3283-7904, 3283-7903 e 3336-7421 (fax).
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Assim mesmo... - reflexão
Assim mesmo...
Madre Tereza de Calcutá
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas,
ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-la de
egoísta, interesseira.
Seja gentil assim mesmo.
Se você é vencedora, terá alguns falsos
amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesta e franca,as pessoas
podem enganá-la.
Seja honesta e franca assim mesmo.
O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
O bem que você faz hoje pode
ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor
de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você que, no final das contas,
é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.
Madre Tereza de Calcutá
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas,
ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-la de
egoísta, interesseira.
Seja gentil assim mesmo.
Se você é vencedora, terá alguns falsos
amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesta e franca,as pessoas
podem enganá-la.
Seja honesta e franca assim mesmo.
O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
O bem que você faz hoje pode
ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor
de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você que, no final das contas,
é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
MANIFESTO
MANIFESTO
Assinatura da Concessão de Belo Monte é mais uma ofensiva macabra para sentenciar a morte do rio Xingu
Os funcionários do Planalto ainda não terão limpado os restos da festança que comemorará o retorno do Presidente da República ao seu Palácio nesta quarta, dia 25, e o governo federal assinará a sentença de morte do Xingu e a expulsão de milhares de cidadãos de suas casas, o pouco que ribeirinhos e pequenos agricultores das barrancas do rio podem chamar de seu.
Num ato de escandalosa afronta a convenções internacionais de direitos humanos, à legislação brasileira e à Constituição do país, o governo firmará, nesta quinta, 26, o Decreto de Outorga e o Contrato de Concessão da UHE Belo Monte com o Consórcio N/Morte Energia no Palácio do Planalto.
A assinatura ocorrerá antes do Ibama ter concedido a Licença de Instalação à obra, que, por lei, deve anteceder mesmo o processo de licitação (artigo 4 da resolução 006 do CONAMA), e enquanto ainda tramitam na Justiça 15 Ações Civis Públicas contra a Licença Prévia, contra o leilão e por violação de Direitos Humanos e Constitucionais das populações ameaçadas.
Neste ato, serão rasgados acordos internacionais como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção sobre Diversidade Biológica, que exigem o consentimento livre, prévio e informado dos Povos Indígenas e Comunidades Locais em caso de empreendimentos que afetem suas vidas.
Será consolidado um procedimento que ressuscitou um autoritarismo aterrador por parte do governo, que instou o Tribunal Regional Federal a derrubar sem a mínima avaliação dos argumentos jurídicos três liminares concedidas pela Justiça Federal contra a obra e o leilão, constrangeu procuradores do Ministério Público Federal através de ameaças abertas por parte da Advocacia Geral da União, e avalizou um projeto que custará mais de 19 bilhões de reais – a maior parte advinda de fundos públicos como o BNDES e de fundos de pensão - sem a menor garantia de viabilidade econômica, representando uma grave ameaça ao erário público.
Há mais de um ano atrás, em julho de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em audiência representantes da comunidade científica, lideranças indígenas e sociais e o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler, e garantiu textualmente a seus interlocutores que não lhes “enfiaria Belo Monte goela abaixo”. Também se comprometeu a responder algumas questões, que lhe foram enviadas por carta posteriormente:
O que diz Lula ao Brasil sobre a ineficiência energética da usina, que na maior parte do ano só produzirá 40% da energia prometida?
Que garantias Lula dá às populações do Xingu de que não serão construídas outras três usinas – Altamira, Pombal e São Felix do Xingu – no rio?
O que diz Lula sobre os impactos às populações indígenas?
Qual o número de atingidos pela obra que serão deslocados de suas casas?
O que será da população dos 100 km da Volta Grande do Xingu que secarão com Belo Monte?
O que diz Lula sobre a pressão populacional que a região sofrerá com a migração de milhares de pessoas para Altamira, em busca de emprego e oportunidade?
Qual é, afinal, o custo da usina?
Qual será a tarifa cobrada da população brasileira pela energia produzida por Belo Monte?
Estas perguntas nunca foram respondidas pelo presidente. Não foram respondidas satisfatoriamente por ninguém. As populações ameaçadas, todos nós brasileiros, fomos escanteados, desrespeitados em nossos direitos, tivemos nossas leis pisadas na lama e nossos direitos ridicularizados.
A assinatura do Decreto de Outorga e do Contrato de Concessão da UHE Belo Monte, um dos primeiros atos oficiais no reluzente e recém-reinaugurado Palácio do Planalto, deixará uma mancha macabra e feia. Mas não extinguirá a resistência de indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores que lutam por suas vidas no Xingu, e por tudo que o rio e as matas são para eles e para nós: garantia de futuro.
Vergonha sobre o governo! Belo Monte não passará!
Assinam:
Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu
Movimento Xingu Vivo para Sempre - MXVPS
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo - Apoinme
Aty Guasu
Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal - Arpipan
Articulação dos Povos Indígenas do Sul - Arpinsul
Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste - Arpinsudeste
Conselho Indigenista Missionário - CIMI
Rede Fórum da Amazônia Oriental - FAOR
Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre, Belém/PA
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Instituto Amazônia Solidária e Sustentável - IAMAS
Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé
Instituto Socioambiental - ISA
Society for Threatened Peoples International
Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
Instituto Terramar
Justiça Global
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Instituto Humanitas
Associação Floresta Protegida - Mebengokré/Kayapó
Instituto Ambiental Vidágua
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
IBASE
Centro Legal de Defensores do Meio Ambiente - EDLC
Survival International
FASE AMAZÔNIA
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia - MAMA
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense - FMAP
Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Terra de Direitos
Fundação Tocaia
Campa - Cooperação Associativo Ambiental Panamazônica
Fórum Carajás
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul - PACS
COMITÊ-DOROTHY
OPERAÇÃO AMAZÔNIA NATIVA – OPAN
Associação Civil Alternativa Terrazul
REDE SOCIAL DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS
Centro de Defesa dos Direitos Humanos
Educação Popular do Acre-CDDHEP
Articulação de Mulheres Negras da Amazonia Brasileira - FULANAS
Rede Jubileu Sul Brasil
Rede Jubileu Sul Américas
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul - PACS
Forum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Assembléia Popular Nacional
Grito dos Excluídos
Sindicato dos professores de Nova Friburgo e região
GTA
Associação Civil Alternativa Terrazul
“Toda vez que nos unimos reforçamos nosso movimento. Temos que continuar lutando pela vida, pela cultura e biodiversidade e floresta; os velhos, os jovens e as gerações futuras não desistirão nunca da luta contra Belo Monte!"
Cacique Raoni Metuktire, Altamira, agosto de 2008
Assinatura da Concessão de Belo Monte é mais uma ofensiva macabra para sentenciar a morte do rio Xingu
Os funcionários do Planalto ainda não terão limpado os restos da festança que comemorará o retorno do Presidente da República ao seu Palácio nesta quarta, dia 25, e o governo federal assinará a sentença de morte do Xingu e a expulsão de milhares de cidadãos de suas casas, o pouco que ribeirinhos e pequenos agricultores das barrancas do rio podem chamar de seu.
Num ato de escandalosa afronta a convenções internacionais de direitos humanos, à legislação brasileira e à Constituição do país, o governo firmará, nesta quinta, 26, o Decreto de Outorga e o Contrato de Concessão da UHE Belo Monte com o Consórcio N/Morte Energia no Palácio do Planalto.
A assinatura ocorrerá antes do Ibama ter concedido a Licença de Instalação à obra, que, por lei, deve anteceder mesmo o processo de licitação (artigo 4 da resolução 006 do CONAMA), e enquanto ainda tramitam na Justiça 15 Ações Civis Públicas contra a Licença Prévia, contra o leilão e por violação de Direitos Humanos e Constitucionais das populações ameaçadas.
Neste ato, serão rasgados acordos internacionais como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção sobre Diversidade Biológica, que exigem o consentimento livre, prévio e informado dos Povos Indígenas e Comunidades Locais em caso de empreendimentos que afetem suas vidas.
Será consolidado um procedimento que ressuscitou um autoritarismo aterrador por parte do governo, que instou o Tribunal Regional Federal a derrubar sem a mínima avaliação dos argumentos jurídicos três liminares concedidas pela Justiça Federal contra a obra e o leilão, constrangeu procuradores do Ministério Público Federal através de ameaças abertas por parte da Advocacia Geral da União, e avalizou um projeto que custará mais de 19 bilhões de reais – a maior parte advinda de fundos públicos como o BNDES e de fundos de pensão - sem a menor garantia de viabilidade econômica, representando uma grave ameaça ao erário público.
Há mais de um ano atrás, em julho de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em audiência representantes da comunidade científica, lideranças indígenas e sociais e o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler, e garantiu textualmente a seus interlocutores que não lhes “enfiaria Belo Monte goela abaixo”. Também se comprometeu a responder algumas questões, que lhe foram enviadas por carta posteriormente:
O que diz Lula ao Brasil sobre a ineficiência energética da usina, que na maior parte do ano só produzirá 40% da energia prometida?
Que garantias Lula dá às populações do Xingu de que não serão construídas outras três usinas – Altamira, Pombal e São Felix do Xingu – no rio?
O que diz Lula sobre os impactos às populações indígenas?
Qual o número de atingidos pela obra que serão deslocados de suas casas?
O que será da população dos 100 km da Volta Grande do Xingu que secarão com Belo Monte?
O que diz Lula sobre a pressão populacional que a região sofrerá com a migração de milhares de pessoas para Altamira, em busca de emprego e oportunidade?
Qual é, afinal, o custo da usina?
Qual será a tarifa cobrada da população brasileira pela energia produzida por Belo Monte?
Estas perguntas nunca foram respondidas pelo presidente. Não foram respondidas satisfatoriamente por ninguém. As populações ameaçadas, todos nós brasileiros, fomos escanteados, desrespeitados em nossos direitos, tivemos nossas leis pisadas na lama e nossos direitos ridicularizados.
A assinatura do Decreto de Outorga e do Contrato de Concessão da UHE Belo Monte, um dos primeiros atos oficiais no reluzente e recém-reinaugurado Palácio do Planalto, deixará uma mancha macabra e feia. Mas não extinguirá a resistência de indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores que lutam por suas vidas no Xingu, e por tudo que o rio e as matas são para eles e para nós: garantia de futuro.
Vergonha sobre o governo! Belo Monte não passará!
Assinam:
Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu
Movimento Xingu Vivo para Sempre - MXVPS
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo - Apoinme
Aty Guasu
Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal - Arpipan
Articulação dos Povos Indígenas do Sul - Arpinsul
Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste - Arpinsudeste
Conselho Indigenista Missionário - CIMI
Rede Fórum da Amazônia Oriental - FAOR
Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre, Belém/PA
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Instituto Amazônia Solidária e Sustentável - IAMAS
Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé
Instituto Socioambiental - ISA
Society for Threatened Peoples International
Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
Instituto Terramar
Justiça Global
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Instituto Humanitas
Associação Floresta Protegida - Mebengokré/Kayapó
Instituto Ambiental Vidágua
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
IBASE
Centro Legal de Defensores do Meio Ambiente - EDLC
Survival International
FASE AMAZÔNIA
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia - MAMA
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense - FMAP
Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Terra de Direitos
Fundação Tocaia
Campa - Cooperação Associativo Ambiental Panamazônica
Fórum Carajás
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul - PACS
COMITÊ-DOROTHY
OPERAÇÃO AMAZÔNIA NATIVA – OPAN
Associação Civil Alternativa Terrazul
REDE SOCIAL DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS
Centro de Defesa dos Direitos Humanos
Educação Popular do Acre-CDDHEP
Articulação de Mulheres Negras da Amazonia Brasileira - FULANAS
Rede Jubileu Sul Brasil
Rede Jubileu Sul Américas
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul - PACS
Forum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Assembléia Popular Nacional
Grito dos Excluídos
Sindicato dos professores de Nova Friburgo e região
GTA
Associação Civil Alternativa Terrazul
“Toda vez que nos unimos reforçamos nosso movimento. Temos que continuar lutando pela vida, pela cultura e biodiversidade e floresta; os velhos, os jovens e as gerações futuras não desistirão nunca da luta contra Belo Monte!"
Cacique Raoni Metuktire, Altamira, agosto de 2008
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Con la noticia de que puede tomar hasta cuatro meses rescatar a los 33 mineros atrapados en la mina de cobre San José, en Chile, surge una pregunta: ¿cuáles son los efectos físicos y mentales que enfrenta el organismo humano en esas condiciones?
Los mineros han estado atrapados desde el 5 de agosto, cuando el derrumbe de un túnel los dejó confinados en un pequeño espacio -un refugio- totalmente oscuro y con una temperatura constante de 36 grados centígrados.
Información
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Comienzan a rehidratar a mineros
Chile: el rescate de los mineros tomará meses
VideosPrimeras imágenes de los mineros atrapados en ChileEl lunes se informó que por medio de un ducto de 15 centímetros de diámetro se logró enviarles suministros médicos, alimentos y cápsulas de hidratación.
Ahora los planes incluyen la perforación de otros ductos para ventilación y comunicación, y eventualmente se planea llevar a cabo una perforación suficientemente grande para poder rescatar a los mineros uno por uno.
Pero esta labor, dicen los expertos, podría tomar hasta cuatro meses.
"Creo que los principales desafíos en este caso, suponiendo que se consiga proporcionarles adecuadamente aire fresco, hidratación y alimentación, serán retos de orden psicológico", dice el profesor Pedro Arcos González, director de la Unidad de Investigación en Emergencia y Desastres de la Universidad de Oviedo, España.
"Porque 33 mineros son muchas personas y necesitarán de una supervisión psicológica constante", añade.
Según el experto, las condiciones ambientales en las que se encuentran los trabajadores podrían complicar su estado de salud, pero esto dependerá de su situación actual y de que no hayan sufrido heridas en el derrumbe.
"Por lo que sabemos, los 33 tienen un nivel de salud aceptable, excepto tres. Dos padecen de un trastorno pulmonar y creemos que otro de ellos es diabético, aunque ninguno de los tres es un enfermo grave".
Por eso, lo principal -afirma el experto- es, por un lado, mantenerlos adecuadamente hidratados y alimentados y, por otro, que tengan un nivel adecuado de comunicación con el mundo exterior, con sus familiares y con apoyo de profesionales.
Líderes naturales
Según el doctor James Thompson, psicólogo y codirector de la Clínica de Estrés Traumático de la Universidad de Londres, "la base en estas situaciones es la dinámica de grupo".
"Individualmente, cada uno de los mineros atravesará por malos momentos. Por eso es muy importante que los líderes naturales del grupo puedan mantener un apoyo constante con los demás".
Según el psicólogo, es probable que estos "líderes naturales" ya hayan surgido durante los pasados 18 días.
"Los líderes surgen desde el momento en que la gente se recupera del primer estado de shock y son los que toman la iniciativa de llevar a los demás a un lugar seguro, organizarlos y confortarlos, repitiendo que 'no hay que preocuparse, que seguro nos están ya buscando'".
Thompson cree que quizás el período más difícil ya ha pasado, que fueron las primeras horas de la catástrofe y los días posteriores, cuando los mineros no tuvieron ningún indicio del mundo exterior y no sabían si se los había ubicado.
Pasados esos momentos difíciles -añade- se puede decir que las condiciones están mejorando, ya que los hombres han logrado obtener, además de contacto exterior, alguna forma de sustento y nutrición.
"Como el infierno"
Pero ahora deberán enfrentar muchos días más en ese espacio confinado, oscuro y extremadamente caliente y en condiciones sanitarias bastante malas.
"En efecto, la situación en la que se encuentran es muy cercana a lo que podemos imaginar que es el infierno", expresa el doctor Thompson.
"Así que ahora será crucial mejorar sus circunstancias lo más que sea posible, por ejemplo, enviándoles suministros para higiene y evitando infecciones, además de incrementar la ventilación".
Según el experto español Pedro Arcos, "si se consigue mantenerlos con un nivel adecuado de hidratación y alimentación y si se logra renovar el aire de ese refugio, seguramente los principales retos en los próximos meses serán los psicológicos".
"Esto implica mantener un contacto permanente con sus familiares y darles apoyo constante, recordándoles que hay mucha gente que está haciendo todo lo posible para rescatarlos".
"Este respaldo es esencial para desactivar de alguna manera posibles conflictos o situaciones de estrés que se puedan ir produciendo", explica el profesor Arcos.
Por su parte, el doctor Thompson cree que los mineros necesitan concentrarse en las tareas diarias y no pensar a largo plazo, sino en los próximos dos o tres días.
"Con los sobrevivientes de campos de concentración hemos aprendido, por ejemplo, que nunca veían hacia un futuro lejano para soportar su situación", dice el psicólogo.
"Más bien se enfocaban en los siguientes días y en planear las rutinas diarias. Creemos que esa es la mejor forma de preparar psicológicamente al ser humano en desastres como estos".
Los mineros han estado atrapados desde el 5 de agosto, cuando el derrumbe de un túnel los dejó confinados en un pequeño espacio -un refugio- totalmente oscuro y con una temperatura constante de 36 grados centígrados.
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Chile: el rescate de los mineros tomará meses
VideosPrimeras imágenes de los mineros atrapados en ChileEl lunes se informó que por medio de un ducto de 15 centímetros de diámetro se logró enviarles suministros médicos, alimentos y cápsulas de hidratación.
Ahora los planes incluyen la perforación de otros ductos para ventilación y comunicación, y eventualmente se planea llevar a cabo una perforación suficientemente grande para poder rescatar a los mineros uno por uno.
Pero esta labor, dicen los expertos, podría tomar hasta cuatro meses.
"Creo que los principales desafíos en este caso, suponiendo que se consiga proporcionarles adecuadamente aire fresco, hidratación y alimentación, serán retos de orden psicológico", dice el profesor Pedro Arcos González, director de la Unidad de Investigación en Emergencia y Desastres de la Universidad de Oviedo, España.
"Porque 33 mineros son muchas personas y necesitarán de una supervisión psicológica constante", añade.
Según el experto, las condiciones ambientales en las que se encuentran los trabajadores podrían complicar su estado de salud, pero esto dependerá de su situación actual y de que no hayan sufrido heridas en el derrumbe.
"Por lo que sabemos, los 33 tienen un nivel de salud aceptable, excepto tres. Dos padecen de un trastorno pulmonar y creemos que otro de ellos es diabético, aunque ninguno de los tres es un enfermo grave".
Por eso, lo principal -afirma el experto- es, por un lado, mantenerlos adecuadamente hidratados y alimentados y, por otro, que tengan un nivel adecuado de comunicación con el mundo exterior, con sus familiares y con apoyo de profesionales.
Líderes naturales
Según el doctor James Thompson, psicólogo y codirector de la Clínica de Estrés Traumático de la Universidad de Londres, "la base en estas situaciones es la dinámica de grupo".
"Individualmente, cada uno de los mineros atravesará por malos momentos. Por eso es muy importante que los líderes naturales del grupo puedan mantener un apoyo constante con los demás".
Según el psicólogo, es probable que estos "líderes naturales" ya hayan surgido durante los pasados 18 días.
"Los líderes surgen desde el momento en que la gente se recupera del primer estado de shock y son los que toman la iniciativa de llevar a los demás a un lugar seguro, organizarlos y confortarlos, repitiendo que 'no hay que preocuparse, que seguro nos están ya buscando'".
Thompson cree que quizás el período más difícil ya ha pasado, que fueron las primeras horas de la catástrofe y los días posteriores, cuando los mineros no tuvieron ningún indicio del mundo exterior y no sabían si se los había ubicado.
Pasados esos momentos difíciles -añade- se puede decir que las condiciones están mejorando, ya que los hombres han logrado obtener, además de contacto exterior, alguna forma de sustento y nutrición.
"Como el infierno"
Pero ahora deberán enfrentar muchos días más en ese espacio confinado, oscuro y extremadamente caliente y en condiciones sanitarias bastante malas.
"En efecto, la situación en la que se encuentran es muy cercana a lo que podemos imaginar que es el infierno", expresa el doctor Thompson.
"Así que ahora será crucial mejorar sus circunstancias lo más que sea posible, por ejemplo, enviándoles suministros para higiene y evitando infecciones, además de incrementar la ventilación".
Según el experto español Pedro Arcos, "si se consigue mantenerlos con un nivel adecuado de hidratación y alimentación y si se logra renovar el aire de ese refugio, seguramente los principales retos en los próximos meses serán los psicológicos".
"Esto implica mantener un contacto permanente con sus familiares y darles apoyo constante, recordándoles que hay mucha gente que está haciendo todo lo posible para rescatarlos".
"Este respaldo es esencial para desactivar de alguna manera posibles conflictos o situaciones de estrés que se puedan ir produciendo", explica el profesor Arcos.
Por su parte, el doctor Thompson cree que los mineros necesitan concentrarse en las tareas diarias y no pensar a largo plazo, sino en los próximos dos o tres días.
"Con los sobrevivientes de campos de concentración hemos aprendido, por ejemplo, que nunca veían hacia un futuro lejano para soportar su situación", dice el psicólogo.
"Más bien se enfocaban en los siguientes días y en planear las rutinas diarias. Creemos que esa es la mejor forma de preparar psicológicamente al ser humano en desastres como estos".
FORO PERMANENTE DE REFLEXÃO SOBRE A AMÉRICA LATINA
FORO PERMANENTE DE REFLEXÃO SOBRE A AMÉRICA LATINA
2º PROGRAMA
O Memorial da América Latina e o Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo – PROLAM/USP convidam para o 2º encontro do projeto Foro Permanente de Reflexão sobre a América Latina.
Nesse encontro a pesquisadora Sônia Maria Geraldes discutirá a vulnerabilidade feminina à AIDS, no contexto da Síndrome no Brasil e no México . Tendo como plano de trabalho quatro momentos ou discursos: o médico, o jornalístico, o preventivo e o vivido (das portadoras), apresentará um olhar crítico sobre as contribuições dos diversos atores da Síndrome.
Conferencista : Dra. Sônia Maria Geraldes (Médica infectologista, com mestrado em Informação e Sociedade pelo PROLAM/USP, atua na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, nas áreas de Planejamento e Assistência)
Coordenadora da mesa : Profa. Dra. Cremilda Medina (PROLAM/USP)
Debatedor : Prof. Dr. José da Rocha Carvalheiro (Médico, Professor Titular da USP, atualmente participa do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde – CDTS e é Assessor da OMS e do Presidente da Fiocruz)
30 de agosto de 2010 (segunda-feira), 19h
Anexo dos Congressistas/CBEAL
Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Metrô Barra Funda
São Paulo / SP
Entrada franca
2º PROGRAMA
O Memorial da América Latina e o Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo – PROLAM/USP convidam para o 2º encontro do projeto Foro Permanente de Reflexão sobre a América Latina.
Nesse encontro a pesquisadora Sônia Maria Geraldes discutirá a vulnerabilidade feminina à AIDS, no contexto da Síndrome no Brasil e no México . Tendo como plano de trabalho quatro momentos ou discursos: o médico, o jornalístico, o preventivo e o vivido (das portadoras), apresentará um olhar crítico sobre as contribuições dos diversos atores da Síndrome.
Conferencista : Dra. Sônia Maria Geraldes (Médica infectologista, com mestrado em Informação e Sociedade pelo PROLAM/USP, atua na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, nas áreas de Planejamento e Assistência)
Coordenadora da mesa : Profa. Dra. Cremilda Medina (PROLAM/USP)
Debatedor : Prof. Dr. José da Rocha Carvalheiro (Médico, Professor Titular da USP, atualmente participa do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde – CDTS e é Assessor da OMS e do Presidente da Fiocruz)
30 de agosto de 2010 (segunda-feira), 19h
Anexo dos Congressistas/CBEAL
Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Metrô Barra Funda
São Paulo / SP
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